Passageiros pediram para motorista reduzir antes de tragédia com ônibus na BR-040, diz sobrevivente

Harley Francisco de Assis, de 39 anos, estava no ônibus que tombou na BR-040, na Serra de Petrópolis, e deixou 10 pessoas mortas. Sobrevivente do acidente, ele contou que passageiros chegaram a pedir para o motorista diminuir a velocidade durante a viagem.
O ônibus saiu de Belo Horizonte com destino a Copacabana, no Rio de Janeiro. O acidente aconteceu por volta das 4h30 de domingo (16), no km 91 da BR-040, durante a descida da serra. As causas do tombamento ainda estão sendo investigadas.
Em entrevista após deixar o local, Harley disse que não percebeu nada de diferente no motorista no momento do embarque. A situação, segundo ele, mudou algum tempo depois, já durante o trajeto.
“Ele começou a acelerar muito o ônibus”, relatou. De acordo com o passageiro, algumas pessoas começaram a gritar e pedir para que o motorista reduzisse a velocidade.
Harley contou ainda que, pouco antes do acidente, o medo tomou conta do ônibus. Mulheres estavam acompanhadas de crianças e, segundo ele, vários passageiros choravam e diziam que iriam morrer. O sobrevivente afirmou não saber se houve alguma falha nos freios.
O relato de excesso de velocidade parte dos passageiros e ainda faz parte das informações que deverão ser analisadas durante a investigação. A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura as circunstâncias do acidente. Outras pessoas que estavam no coletivo também relataram que o veículo seguia em alta velocidade antes de perder o controle.
Segundo Harley, a excursão custava R$ 170 por pessoa, incluindo ida e volta entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus não estava habilitado para fazer o transporte interestadual de passageiros. O órgão classificou a operação como transporte clandestino. A ANTT também informou que não encontrou empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo para a realização daquela viagem.
A Estrela Guia Turismo afirmou, em nota, que lamenta o acidente, está prestando assistência às vítimas e familiares e colabora com as autoridades responsáveis pela investigação. A empresa disse que aguarda a conclusão das apurações sobre o que provocou o tombamento.
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