Governo coloca mais biodiesel no diesel para aliviar o preço, mas efeito nos motores entra no radar

O diesel vendido nos postos brasileiros já não é formado apenas pelo combustível derivado do petróleo. Desde agosto de 2025, a mistura obrigatória passou a ter 15% de biodiesel, formando o chamado B15. O próximo passo previsto é chegar ao B16, com 16%, mas a mudança ainda depende de testes técnicos.
A ideia ganhou força durante a disparada do petróleo e do diesel em 2026. Produtores de biodiesel e entidades do agronegócio defenderam uma mistura maior como forma de usar mais combustível produzido no Brasil e diminuir a necessidade de importar diesel. O próprio governo, porém, evitou tratar o aumento como solução imediata para baixar o preço, alegando necessidade de testes e de oferta suficiente do biocombustível.
Hoje, o B15 é o maior percentual que já passou pelos testes oficiais de validação em motores no país. Para ir além disso, a Lei do Combustível do Futuro exige comprovação de viabilidade técnica. O plano do Ministério de Minas e Energia prevê avaliações de misturas que podem chegar inicialmente ao B20 e, posteriormente, ao B25.
E é justamente nessa parte que entra uma preocupação conhecida de donos de caminhões, picapes e máquinas a diesel.
A própria ANP explica que o biodiesel possui maior facilidade para incorporar água. Quando existe água no tanque e o combustível não é armazenado corretamente, pode ocorrer formação de depósitos e crescimento de bactérias e fungos. O resultado pode aparecer no entupimento de filtros e na corrosão de componentes metálicos.
Isso não significa que o B15, sozinho, esteja “quebrando motores”. O Ministério de Minas e Energia informa que essa mistura já foi testada e aprovada. O cuidado aumenta quando entram combustível envelhecido, água, armazenamento inadequado e possíveis problemas de qualidade.
Oficinas do setor de reparação também vêm relatando casos envolvendo contaminação do sistema, filtros saturados, bombas de alta pressão e bicos injetores. Esses relatos são uma das razões para acompanhar de perto os testes antes de aumentar novamente o percentual de biodiesel.
O próprio programa de testes do governo prevê procurar borras, resíduos e sinais de degradação, além de avaliar consumo, durabilidade, partida a frio e comportamento do óleo lubrificante em diferentes gerações de motores diesel.
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