Caminhoneiros brasileiros deixam o país de olho em salários maiores na Europa

Caminhoneiros brasileiros estão olhando para fora do país em busca de salários maiores e uma rotina com mais segurança. Portugal virou uma das portas de entrada para quem pretende dirigir na Europa, enquanto rotas por França, Alemanha, Bélgica e outros países aparecem entre as possibilidades para quem consegue regularizar a documentação.
A procura tem uma explicação bem direta: falta motorista. Um relatório divulgado pela IRU em junho de 2026 aponta cerca de 502 mil vagas de caminhoneiro sem preenchimento na Europa, o equivalente a 13% dos postos do setor. A entidade também calcula que perto de 20% dos motoristas europeus devem se aposentar nos próximos cinco anos.
Portugal já buscava profissionais brasileiros antes dessa nova atualização. Em 2019, o país enfrentava uma falta estimada de 5 mil caminhoneiros e cerca de 2 mil brasileiros haviam sido contratados em apenas um ano, segundo dados do setor publicados pela Folha de S.Paulo.
O idioma facilita a adaptação e o salário em euro chama atenção de quem passa semanas na estrada no Brasil. Em relatos de brasileiros que fizeram a mudança, remuneração e segurança aparecem entre os motivos para tentar a vida do outro lado do Atlântico. Para alguns, Portugal também funciona como ponto de partida para trabalhar com transporte internacional dentro da Europa.
Mas não basta desembarcar com a CNH brasileira e procurar uma carreta. O governo português informa que habilitações emitidas no Brasil podem ser usadas ou trocadas dentro das regras previstas no país. Para categorias pesadas existem exigências adicionais, como documentação, avaliação médica e, em determinadas situações, avaliação psicológica.
A vida na Europa também tem seus custos. Aluguel, alimentação, impostos e despesas da família são pagos em euro. Pegar um salário europeu e simplesmente converter para reais pode criar uma impressão errada sobre quanto dinheiro realmente sobra no fim do mês.
O trabalho continua pesado. Motoristas que fazem transporte internacional podem passar dias longe de casa, enfrentam prazos de entrega e precisam cumprir regras de direção, pausas e descanso. A atividade é controlada por tacógrafos e pela legislação europeia.
Com a falta de profissionais, empresas seguem procurando gente para colocar os caminhões na estrada. Só que experiência no Brasil, sozinha, não garante emprego. Documentação regular, autorização para trabalhar e habilitação aceita no país são exigências que precisam estar acertadas antes de assumir o volante.
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