Braskem pede recuperação extrajudicial com dívida de US$ 10,9 bilhões

A Braskem protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para tentar reorganizar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. O valor corresponde a algo entre R$ 54 bilhões e R$ 56 bilhões, dependendo da cotação do dólar usada na conversão.
O pedido foi apresentado nesta segunda-feira (24), justamente na data em que terminava uma proteção cautelar obtida pela petroquímica em junho. Essa medida anterior havia suspendido por 60 dias determinadas cobranças, execuções e bloqueios enquanto a empresa negociava com seus credores.
Em fato relevante enviado ao mercado, a Braskem informou que o processo envolve obrigações financeiras sem garantia real da companhia e de algumas controladas. A ideia é usar a recuperação extrajudicial para continuar negociando mudanças nos prazos e nas condições de pagamento da dívida.
Com o novo processo, a petroquímica passa a contar com uma proteção de 90 dias para avançar nas negociações e estruturar o plano que será apresentado aos credores. Segundo informações da Reuters, o pedido já chegou à Justiça com apoio de parte dos credores da companhia.
A recuperação extrajudicial funciona de forma diferente de uma recuperação judicial tradicional. Nesse modelo, a empresa tenta acertar diretamente com grupos de credores as novas condições da dívida e depois busca a homologação da Justiça. O processo não significa que as fábricas serão fechadas ou que a empresa deixou de operar.
A própria Braskem informou que o procedimento tem foco financeiro. Obrigações relacionadas ao funcionamento normal da empresa, incluindo pagamentos a fornecedores, clientes e outros compromissos operacionais, não fazem parte do grupo de dívidas que está sendo renegociado.
A situação financeira da companhia já vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado. No fim de junho, a Braskem registrava dívida líquida ajustada de US$ 9,4 bilhões e alavancagem de 6,74 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda recorrente dos últimos 12 meses.
A companhia também enfrenta os efeitos de um período prolongado de baixa no setor petroquímico, além de compromissos ligados ao afundamento do solo em Maceió. A subsidiária Braskem Idesa, no México, iniciou recentemente um processo de Chapter 11 nos Estados Unidos para reorganizar suas próprias dívidas.
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