Ônibus podem ficar no pátio enquanto empresas correm atrás de novos motoristas
Ter ônibus disponível já não resolve todo o problema de uma empresa de transporte. Em várias regiões do Brasil, conseguir alguém habilitado e preparado para assumir o volante virou uma dificuldade que começa a pesar nas garagens.
A própria Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) informou em 2026 que mais da metade das empresas operadoras encontra dificuldade para contratar motoristas. No transporte rodoviário interestadual, os números são ainda mais pesados.
Dados divulgados pela Abrati apontam pouco mais de 60 mil motoristas trabalhando no segmento, enquanto seriam necessários quase 86 mil. A diferença fica perto de 26 mil profissionais.
Só que colocar gente nova no volante não acontece de uma hora para outra. O candidato precisa da categoria correta da CNH, curso para transporte coletivo e preparação para dirigir um veículo levando dezenas de passageiros.
É justamente aí que aparece uma reclamação antiga de quem tenta entrar na profissão: diversas vagas ainda procuram motorista já pronto e, muitas vezes, com experiência. Programas para pegar alguém sem experiência e formar dentro da própria empresa existem, mas ainda são iniciativas isoladas quando comparadas ao tamanho da falta de mão de obra.
A Suzantur, por exemplo, criou junto com o SEST SENAT um programa para preparar candidatos que já possuem habilitação e curso de transporte coletivo, mas não conseguem a primeira oportunidade por falta de experiência.
Enquanto a renovação acontece devagar, empresas precisam remanejar equipes, abrir vagas repetidamente e tentar manter motoristas mais antigos trabalhando. Em operações onde não há profissional disponível para determinada escala, o ônibus pode acabar ficando na garagem mesmo estando em condições de rodar.
O problema também passa por salário, jornada, pressão com horários, trânsito, responsabilidade com passageiros e pouco interesse de parte dos mais jovens em seguir uma carreira que já foi bem mais disputada no passado.
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