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Ônibus

Empresas precisam contratar, mas motoristas de ônibus buscam outras profissões

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Empresas precisam contratar, mas motoristas de ônibus buscam outras profissões
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Motoristas de ônibus estão trocando a profissão por trabalhos menos desgastantes. Insatisfação com o salário, cobrança para cumprir horários e conflitos no dia a dia aparecem entre os motivos dessa saída, conforme reportagem do Diário do Transporte publicada em 1º de agosto de 2026.

A dificuldade para contratar já é reconhecida pelas empresas. Em maio, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) informou que mais da metade das operadoras tinha dificuldade para contratar motoristas.

O desrespeito aparece nos relatos de um estudo publicado em 2024 na revista Alcance. A pesquisa ouviu 22 motoristas de uma empresa do Rio de Janeiro. Eles descreveram xingamentos, cobranças por atrasos fora do seu controle e pressão exagerada da supervisão. Mudanças nas escalas e descontos considerados indevidos no pagamento também entraram nas reclamações.

“Você é um alvo fácil ali”, disse um dos entrevistados ao falar sobre os conflitos na rua.

A relação com o salário teve respostas diferentes nesse grupo. Parte dos participantes considerava a remuneração atraente para a escolaridade exigida, enquanto outros cobravam melhorias. O estudo também registrou relatos de trabalhadores que se sentiam pouco valorizados, apesar da responsabilidade de transportar passageiros todos os dias.

O tratamento dentro da garagem pode pesar na decisão de sair. Ouvida pelo Diário do Transporte, a advogada Liana Variani apontou problemas com a chefia imediata entre os motivos de pedidos de demissão. Ela também defendeu escalas previsíveis e respeito aos períodos de descanso. Para ela, ouvir os motoristas ajuda a identificar dificuldades que nem sempre chegam ao conhecimento dos responsáveis pelas empresas.

Nos ônibus que fazem viagens entre estados, a falta de motoristas chegava a aproximadamente 30%. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), divulgados em 10 de julho de 2026, apontavam mais de 60 mil profissionais trabalhando, diante de uma necessidade de quase 86 mil. O número se refere ao transporte interestadual.

Em entrevista à CNN Brasil, Letícia Pineschi, da Abrati, relatou que parte dos profissionais procura empregos que permitem voltar para casa diariamente. Outros migraram para o transporte de cargas, com remuneração semelhante e sem atendimento a passageiros. Aplicativos e táxis também aparecem entre as ocupações procuradas.

Para cobrir a falta de pessoal, empresas incentivam aposentados a continuar dirigindo. Segundo a Abrati, o déficit ainda não comprometia as operações naquele momento, devido ao mercado desaquecido. A maior parte dos motoristas rodoviários estava na faixa de 40 a 50 anos.

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Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.