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Caminhoneiro

Por que muitos caminhoneiros não gostam de carregar e descarregar em supermercados?

3 minutos de leitura
Caminhão no Atacad]ao
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Para quem está de fora, parece simples: o caminhão chega ao supermercado, encosta na doca, descarrega e segue viagem. Para o motorista, porém, uma entrega que deveria durar pouco pode consumir boa parte do dia.

Essa reclamação não é nova. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional encontrou justamente esse problema entre motoristas de carga. Os pesquisadores registraram que as entregas em supermercados apresentavam tempo de espera maior do que em outros tipos de empresa, principalmente porque a carga costuma ser diversificada e a conferência envolve várias notas fiscais. Quanto mais demorada a descarga, maior a fila de caminhões esperando a vez.

É aí que começa a irritação.

O caminhoneiro já rodou centenas de quilômetros, gastou diesel, tem outra coleta ou entrega programada e, depois que chega ao destino, fica parado. O caminhão não está faturando quilômetros e o motorista também não consegue seguir para o próximo serviço.

Em supermercados e centros de distribuição maiores, ainda existe outra característica: horários de recebimento, organização das docas, conferência de produtos e liberação da documentação podem fazer o veículo permanecer no local muito além do tempo necessário apenas para retirar fisicamente a carga.

Para quem recebe por viagem ou produtividade, cada hora parada pesa diretamente no bolso. O mesmo estudo registrou motoristas reclamando que conseguiam fazer menos entregas justamente por causa do tempo gasto esperando em supermercados.

A legislação brasileira reconhece que essa espera tem custo. Pela Lei nº 11.442, o prazo máximo para carga ou descarga é de cinco horas, contado da chegada do veículo ao endereço. Depois disso, há previsão de pagamento adicional ao transportador.

Em 2026, a ANTT atualizou esse valor para R$ 2,50 por tonelada/hora ou fração depois das cinco horas, considerando a capacidade total de transporte do veículo.

Mesmo com essa regra, a espera continua sendo uma das partes mais desgastantes da operação. O problema não é simplesmente “descarregar supermercado”. É chegar sem saber se aquela parada vai consumir uma hora, cinco horas ou praticamente um turno inteiro.

Há registros até fora do varejo tradicional mostrando como a fila pode sair do controle. Na Ceasa de Mato Grosso do Sul, por exemplo, caminhoneiros relataram espera de dois ou três dias, dependendo da quantidade de veículos aguardando descarga.

Por isso alguns motoristas preferem um frete mais simples, mesmo pagando um pouco menos, do que aceitar uma entrega conhecida por prender o caminhão durante horas.

Para quem vive do trecho, caminhão parado também custa dinheiro. Diesel pode até não estar queimando naquele momento, mas parcela, seguro, pneus, manutenção e compromissos do motorista continuam correndo normalmente.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.