
Cleusa Ximendes e seus filhos e neto. Foto: arquivo pessoal
Para muitas mães, o Dia das Mães é sinônimo de abraço apertado, almoço em família e sorrisos ao redor da mesa. Mas para caminhoneiras como Cleusa, que cruzam o Brasil ao volante de uma carreta, essa data tem um sabor diferente — marcado pela saudade, pela resistência e por um amor que percorre cada quilômetro rodado.
Cleusa é uma dessas guerreiras da estrada. Avó de cinco netos, ela tem Pelotas como referência, mas não mora em uma casa fixa. “Eu moro no caminhão”, diz com naturalidade. Quando está doente, vai para a cidade natal, onde os irmãos — que são enfermeiros — cuidam dela. Mas no dia a dia, sua base costuma ser Canoas, onde pode fazer uma rápida visita aos netos antes de retomar a estrada.
“Eu não tenho casa, mas pago um consórcio para quando me aposentar”, conta. O caminhão é o lar e também o meio de sustento. As datas comemorativas, como o Natal e o Ano Novo, geralmente passam em branco no que diz respeito às tradições familiares. Mas Cleusa transforma esses momentos em algo significativo de outro jeito: “Aproveito que o patrão manda um dinheiro a mais e faço um churrasco. Chamo os andarilhos, falo pra eles: ‘vamos comer junto comigo’ e fazem uma festa”.
Assim como no fim do ano, o Dia das Mães para Cleusa não vem com flores ou presentes embrulhados. Mas chega através de mensagens carinhosas dos filhos, chamadas de vídeo dos netos e aquele calor que só uma mãe sente — mesmo longe fisicamente.
Para todas as caminhoneiras, estar na estrada em datas como essa não é ausência, é resistência. Elas seguem firmes, movidas pelo amor aos filhos, netos e à vida que escolheram viver. São mães que transformam a boleia em abrigo, a saudade em combustível, e a solidão em solidariedade.
Neste Dia das Mães, fica o reconhecimento a essas mulheres que, como Cleusa, mostram que o verdadeiro lar está onde mora o coração — mesmo que seja entre o ronco do motor e o horizonte da próxima parada.
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