
Ministro Haddad. Foto: reprodução
O recente aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) tem gerado preocupação entre empresários do setor de transporte e especialistas em logística. O imposto, que incide sobre operações de crédito, câmbio e seguros, impacta diretamente transportadoras que dependem de financiamentos para renovar frota, adquirir peças ou manter o capital de giro. O resultado? Um efeito em cascata que pode afetar toda a cadeia produtiva e o bolso do consumidor final.
No transporte rodoviário de cargas, que responde por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no Brasil, boa parte das empresas opera com margens reduzidas e recorre a financiamentos para manter suas atividades. Com o aumento do IOF, o custo dessas operações também sobe — e tende a ser repassado ao contratante do frete.
“Esse impacto não para na transportadora. Ele chega no supermercado, na farmácia, na bomba de combustível. Todo o sistema de distribuição é afetado”, explica João Torres, consultor em logística.
Enquanto grandes empresas conseguem negociar taxas melhores com bancos e têm mais capital próprio, pequenas e médias transportadoras — que representam uma parcela significativa do setor — sentem o peso da alta do IOF de forma mais imediata. Com dificuldade para acessar crédito mais barato, muitas podem ser forçadas a reduzir investimentos, cortar frota ou até encerrar atividades.
“É um cenário preocupante para quem precisa financiar um caminhão, que já custa caro. Com o IOF mais alto, o valor final do financiamento sobe consideravelmente”, afirma Marcelo Silva, proprietário de uma transportadora em Minas Gerais.
O aumento do IOF no setor de transporte tem reflexos que vão além da logística. Com o frete mais caro, os produtos transportados também ficam mais caros, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população.
Além disso, setores como o agronegócio, a indústria e o varejo também são impactados, especialmente em um momento em que o país busca manter a competitividade nas exportações e controlar os preços internos.
Para driblar os custos mais altos, algumas empresas podem recorrer ao crédito informal, o que representa um risco ainda maior para o equilíbrio financeiro do setor. Há também o temor de que cresça a informalidade, com transportadoras operando fora do sistema bancário regular para evitar o imposto, o que compromete a segurança e a legalidade das operações.
O aumento do IOF pode parecer um ajuste técnico no sistema tributário, mas, na prática, representa um agravante para um setor já pressionado pelos altos custos operacionais, diesel caro e infraestrutura precária. O impacto não recai apenas sobre caminhoneiros e transportadoras, mas sobre toda a população brasileira, que pode pagar mais caro por alimentos, medicamentos e bens de consumo.
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