Caminhoneiro

Caminhoneiros se recusam a pagar taxa de R$ 53,00 imposta pela Cargill para uso de pátio de triagem

A partir desta segunda-feira (10), caminhoneiros que realizam entregas na unidade da Cargill em Cachoeira do Sul enfrentam uma nova taxa de R$ 53,00 para utilizar o pátio de triagem da empresa. A medida provocou revolta entre os motoristas, que se organizam para protestar contra a cobrança.

O empresário Pedro Lopes, presidente de honra da Associação Brasileira de Logística, Transportes e Cargas (ABTC), reuniu-se com cerca de 30 caminhoneiros na última sexta-feira (7) para discutir ações contra a nova tarifa. Na ocasião, foi decidida a criação de uma associação de classe da categoria, com o objetivo de garantir representação legal e fortalecer a articulação de medidas judiciais e reivindicatórias.

“Frete já está exprimido”, dizem motoristas

A principal queixa dos caminhoneiros é que, até então, a triagem era feita sem custo no posto Peteba. “Nosso frete já está bastante exprimido e ainda querem exigir uma taxa por uma mercadoria que é deles. Isso não acontece noutras cidades”, afirmou Roque Odil Xavier, representante dos motoristas.

Segundo eles, o valor da taxa equivale, em alguns casos, ao lucro obtido com até quatro toneladas de carga, tornando a operação inviável.

Fotos/Texto: Cristiano Lima

Estrutura precária e cobrança sem diálogo

Além do custo, os motoristas apontam problemas estruturais no pátio: o piso é lamacento, há risco de danos nos caminhões, os banheiros são inadequados e o refeitório foi improvisado com um ônibus que vende lanches. “A estrutura é precária. A cobrança foi de uma hora para outra e vai sair do nosso bolso”, disse um caminhoneiro que preferiu não se identificar.

Mesmo caminhões que permaneçam apenas 30 minutos no local terão que pagar os R$ 53, independentemente do tamanho do veículo ou do tempo de uso da estrutura.

Cargill se mantém irredutível

Durante a reunião, o advogado Hélio Garcia, ex-procurador do município, informou que tentou contato com dirigentes da Cargill, mas a empresa não demonstrou disposição para rever a medida.

Para Pedro Lopes, a cobrança deveria ser responsabilidade de quem vende ou compra o produto, não do transportador. “Qualquer taxa deve ser paga pelo embarcador ou destinatário. O caminhoneiro não pode arcar com essa despesa extra”, ressaltou.

Prefeitura acompanha o caso

Representando a Prefeitura de Cachoeira do Sul, o secretário de Desenvolvimento, André Bessow, participou do encontro e se comprometeu a analisar formas de atuação do município. Apesar de a área pertencer a uma empresa privada, o secretário sinalizou que pode haver fiscalização, especialmente quanto às condições sanitárias e à exigência de emissão de nota fiscal pela cobrança.

Protesto anunciado

Os caminhoneiros anunciaram uma manifestação para esta segunda-feira (10), data em que a taxa começa a ser cobrada. Durante os períodos de safra, a movimentação no local chega a 300 caminhões por dia, o que pode tornar o protesto visível e de grande impacto.

Resposta da Cargill:

A Cargill estabeleceu um novo procedimento para reforçar a segurança durante a triagem de caminhões em Cachoeira do Sul (RS), assim como já acontece em outras unidades. Com a utilização de um pátio terceirizado, a empresa visa evitar a formação de filas e oferecer ao caminhoneiro uma infraestrutura completa que inclui lanchonete, banheiro, bebedouro, mateiro e estacionamento pernoite, mediante implementação de uma taxa única que formará o valor final do frete. Essa melhoria faz parte do compromisso da Cargill com a segurança, incluindo a de quem acessa suas unidades e a dos profissionais que atuam no local.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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