
Foto: Ricardo Stuckert
Apesar das promessas, caminhoneiros de todo o Brasil seguem sem apoio efetivo do governo federal. Enquanto enfrentam estradas em péssimas condições, aumento no preço do diesel e longas jornadas sem valorização, muitos relatam abandono por parte das autoridades. “Só prometeram na campanha. Na prática, estamos largados”, desabafa Márcio Ferreira, caminhoneiro há mais de 18 anos.
Um dos principais problemas relatados é o custo do diesel. Em julho de 2025, o litro do combustível ainda gira em torno de R$ 6,20 nas rodovias — valor considerado insustentável por muitos autônomos.
“O frete continua o mesmo de cinco anos atrás. Aumenta o diesel, aumenta o pedágio, mas ninguém aumenta o valor do nosso trabalho”, afirma Edinaldo Souza, que roda entre o Paraná e o Mato Grosso.
Segundo levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transporte), 7 em cada 10 caminhoneiros autônomos afirmam que estão trabalhando com lucro zero ou prejuízo. A situação piora quando se inclui manutenção, alimentação e pedágios.
Durante as eleições de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar programas específicos para valorizar os caminhoneiros autônomos, como a ampliação do auxílio para combustível e a renegociação de dívidas. No entanto, até julho de 2025, nenhuma dessas propostas foi regulamentada.
“O que fizeram foi colocar R$ 1,5 bilhão no Novo PAC, mas tudo para grandes empresas de logística. E o autônomo? Aquele que carrega o Brasil nas costas está fora”, diz Antônio Silva, representante de uma associação de motoristas do Sudeste.
O abandono das estradas também é pauta constante entre os motoristas. De acordo com a pesquisa da CNT de 2024, mais de 66% das rodovias brasileiras têm problemas de conservação. Buracos, falta de sinalização e postos de apoio fechados tornam o dia a dia ainda mais difícil.
“Tem trecho no Maranhão que a gente tem que andar a 20 km/h, desviando de buraco. E se o caminhão quebra, a ajuda pode demorar mais de 10 horas para chegar”, relata Jorge Nunes, que atua na região Norte.
Outro ponto de reclamação é a segurança. Em 2024, o Brasil registrou mais de 7 mil roubos de carga. Além disso, muitos motoristas relatam assaltos, falta de iluminação e policiamento nas estradas.
“A gente dorme com um olho fechado e o outro aberto. Nunca sabemos o que pode acontecer no acostamento”, conta Silvano Rocha, caminhoneiro há 12 anos.
Enquanto o governo federal se compromete com obras bilionárias em infraestrutura, os caminhoneiros pedem atenção básica: estradas decentes, segurança, diesel mais barato e frete justo.
Sem isso, como dizem muitos motoristas, “viver nas estradas está se tornando uma luta para não morrer”.
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