
Preço da carne sobe nos mercados.
O preço do boi gordo chegou ao maior nível já registrado desde o início da série histórica, em 1997. A notícia animou produtores rurais, mas trouxe preocupação para quem precisa abastecer a geladeira.
A arroba atingiu R$ 358 na última semana, superando o recorde que havia sido registrado em abril de 2022. Desde janeiro, a valorização acumulada já passa de 26%.
Quem vive da pecuária comemora. Já quem passa pelo açougue percebe que alguns cortes ficaram bem mais caros.
Uma das explicações está no próprio campo. Muitos produtores decidiram segurar parte das vacas para reprodução em vez de enviar os animais para o abate. A estratégia busca aumentar o rebanho nos próximos anos.
Entre a gestação, o nascimento do bezerro, o período de amamentação e o crescimento do animal, podem passar quatro ou cinco anos até que ele esteja pronto. Enquanto isso, menos bois chegam aos frigoríficos e a oferta de carne diminui.
As exportações brasileiras seguem em ritmo forte. Apenas nos três primeiros meses do ano, mais de 800 mil toneladas de carne bovina foram embarcadas para o mercado internacional. O volume representa crescimento de 18,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Quando há menos animais disponíveis e mais compradores disputando a produção, os preços acabam subindo.
O reflexo apareceu rapidamente nas prateleiras. Dados do IPCA mostram que as carnes acumularam alta de 3,18% no primeiro trimestre. Cortes bastante consumidos pelos brasileiros, como alcatra, fígado e capa de filé, ficaram mais caros.
Quem costuma fazer churrasco ou preparar refeições com carne vermelha já percebeu a diferença.
Até a costela, que muitas vezes era vista como uma opção mais em conta, deixou de ser tão acessível quanto antes.
Existe uma expectativa de alívio nas próximas semanas. Com a chegada do inverno em várias regiões do país, parte dos pecuaristas costuma antecipar o envio dos animais para o abate.
O motivo é simples: o frio reduz a qualidade das pastagens e o gado tende a perder peso. Com mais animais entrando no mercado ao mesmo tempo, os preços podem recuar um pouco.
A tendência é que o mercado continue sensível ao clima, às exportações e à oferta de animais. Se houver seca mais forte ou novas compras internacionais em grande volume, a pressão sobre os preços pode voltar rapidamente.
Por enquanto, o cenário é de comemoração nas fazendas e de atenção redobrada para quem faz as compras do mês. Afinal, quando o boi vale mais, a conta quase sempre acaba chegando à mesa do consumidor.
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Esta publicação foi modificada pela última vez em 3 de junho de 2026 11:34
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