
Foto: Reprodução / Internet
A frota cresceu, o número de motoristas caiu e muitas transportadoras já sentem o prejuízo com caminhões parados.
O Brasil vive uma situação complicada no transporte rodoviário. A frota de veículos de carga cresceu, mas o número de caminhoneiros habilitados caiu forte nos últimos anos. Segundo dados da Senatran analisados pelo ILOS, o país tinha 5,6 milhões de motoristas nas categorias C e E em 2015. Em 2025, esse número caiu para 4,4 milhões, uma perda de cerca de 1,2 milhão de condutores. No mesmo período, a frota ligada ao transporte de carga passou de 5,3 milhões para 8 milhões de veículos, segundo levantamento divulgado pela Exame.
Na prática, isso já aparece no pátio das empresas. Pesquisa da NTC&Logística mostrou que 88% das transportadoras têm dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as empresas que disseram ter frota parada, a média é de oito caminhões sem rodar. Para quem vive do transporte, caminhão parado não é descanso. É parcela vencendo, seguro, manutenção, pneu, imposto e contrato que pode atrasar.
O problema não é só ter habilitação. Nem todo motorista com categoria C ou E está realmente na estrada. Tem gente que mudou de profissão, se aposentou, passou a fazer só serviço urbano ou não quer mais encarar viagem longa. A rotina pesa: espera para carregar, espera para descarregar, frete apertado, risco de roubo, pouco ponto de descanso e muitos dias longe de casa. O ILOS também cita pesquisa da CNTA em que 54% dos caminhoneiros afirmaram que pretendem deixar a estrada, um dado que mostra como a profissão perdeu força entre quem já está no trecho.
Outro ponto importante é a idade dos motoristas. A pesquisa citada pelo ILOS mostra que o caminhoneiro típico brasileiro tem 46 anos, está há 17 anos na profissão e trabalha, em média, 12 horas por dia. Já um boletim da ANTT sobre caminhoneiros contratados por empresas mostra idade média de 40 anos entre os admitidos no período analisado, com predominância masculina e maioria com ensino médio completo. Isso reforça que a renovação existe, mas ainda não acompanha o tamanho da necessidade do setor.
Dizer que o Brasil tem mais caminhões do que caminhoneiros chama atenção, mas precisa de cuidado. A Senatran separa a frota por tipo de veículo, e os números podem mudar conforme entram na conta caminhões, caminhões-trator, reboques, semirreboques e outros veículos de carga. Mesmo assim, o alerta continua o mesmo: o transporte rodoviário está crescendo, mas a mão de obra não acompanha no mesmo ritmo.
Com menos motorista disponível, a pressão aparece no frete, nos prazos e no custo das transportadoras. A NTC&Logística aponta que motoristas representam 19,5% dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas, enquanto combustível e veículos também pesam forte na conta. Quando falta gente para dirigir, a operação fica mais cara, o caminhão fica parado e a carga demora mais para sair.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 16 de maio de 2026 16:58
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