Empresas de ônibus têm vagas abertas, mas falta motorista

A falta de motorista de ônibus virou um problema difícil de esconder dentro das garagens. Antes, a maior dor das empresas ficava concentrada no diesel, na manutenção da frota e na queda de passageiros. Agora, o desafio também está em encontrar quem aceite pegar o volante todos os dias, cumprir escala apertada e lidar com uma rotina pesada.
O cenário aparece com força no transporte intermunicipal de passageiros. Levantamento da CNT mostrou que 66,2% dos empresários apontam a falta de motoristas como a principal carência do setor. O dado não fala apenas de vaga aberta. Ele mostra uma dificuldade maior: tem empresa precisando rodar, mas sem mão de obra pronta para assumir o serviço com segurança, experiência e treinamento.
Essa falta não nasceu de uma hora para outra. A profissão perdeu atrativo para parte dos jovens. A jornada exige responsabilidade alta, atenção constante, paciência com trânsito, cobrança de horário e contato direto com passageiro. Para muita gente nova, outras áreas parecem menos desgastantes e com entrada mais simples.
Nas empresas, o efeito aparece na escala. Quando falta motorista, a operação fica mais apertada. Um afastamento, uma folga, uma demissão ou uma licença já mexe no planejamento do dia. Em alguns casos, o ônibus existe, a linha existe, o passageiro espera no ponto, mas falta profissional para colocar o veículo em movimento.
O setor urbano vive outro peso. A NTU aponta que o transporte coletivo por ônibus teve recuperação em 2024, com aumento de quilometragem rodada e de passageiros transportados. Só que a demanda ainda não voltou ao nível de 2019. Isso deixa a conta mais sensível, porque a empresa precisa melhorar o serviço, renovar frota, cumprir contrato e manter equipe, enquanto a receita ainda não voltou ao patamar antigo.
A queda na renovação dos motoristas também pesa. O problema não é apenas contratar alguém com carteira adequada. É encontrar profissional preparado para veículo grande, passageiro, tráfego intenso, horários rígidos e responsabilidade diária. Treinar leva tempo, custa dinheiro e não resolve a escala de um dia para o outro.
Para quem depende do ônibus, a falta aparece de forma simples: intervalo maior, viagem cheia, atraso e linha menos confiável. Para a empresa, aparece como prejuízo, hora extra, remanejamento e ônibus parado. O setor tenta recuperar passageiros, mas sem motorista suficiente a retomada fica mais lenta e mais cara.
