Menor salário de motorista de ônibus no Brasil aparece no Piauí

O Piauí aparece como o estado com o menor salário médio para motorista de ônibus urbano no Brasil, dentro dos dados estaduais abertos consultados. O levantamento do GanhaQuanto, com base em eSocial, RAIS e informações da própria plataforma, mostra remuneração média de R$ 1.726,08 para a função no estado, com jornada média de 42 horas por semana.
O número fica bem abaixo da média nacional indicada pelo Portal Salário para o mesmo cargo, identificado pela CBO 7824-10. Na base nacional do CAGED, o motorista de ônibus urbano ganha em média R$ 2.925,84, considerando registros formais em regime CLT nos últimos 12 meses.
A diferença aparece quando o Piauí é comparado com outros estados que também estão na parte mais baixa da tabela. Rondônia, por exemplo, registra média de R$ 2.150 para motorista de ônibus urbano. Em Alagoas, o valor médio sobe para R$ 2.327,32. Mesmo entre os menores salários encontrados, o Piauí ainda fica distante dos demais.
O dado considera salário médio, não necessariamente o piso definido por acordo coletivo em cada cidade. Isso faz diferença porque benefícios, vale-alimentação, adicionais, horas extras e regras sindicais podem mudar bastante de uma região para outra.
O motorista de ônibus urbano trabalha com embarque e desembarque de passageiros, cumprimento de horários, vistoria do veículo e atenção constante ao trânsito da cidade. A própria descrição da ocupação aponta uma rotina com pressão por tempo, cuidado com segurança e contato direto com o público.
No Piauí, a base analisada reúne 1.897 profissionais. O primeiro quartil aparece em R$ 1.613,16, enquanto o grupo dos 5% mais bem pagos chega a R$ 2.531,29. Isso mostra uma diferença interna relevante, mas ainda com valores baixos quando comparados à média brasileira.
A diferença entre estados ajuda a explicar por que o salário de motorista de ônibus entrou em debate no Congresso. Um projeto em análise na Câmara dos Deputados propõe piso de R$ 4 mil para motoristas profissionais de transporte coletivo em cidades ou regiões metropolitanas com mais de 200 mil habitantes, com jornada de 44 horas semanais.
Enquanto a proposta segue em análise, os dados atuais mostram um retrato desigual da profissão. O mesmo cargo que exige habilitação, atenção diária e responsabilidade com passageiros pode pagar menos de R$ 1,8 mil em média em um estado e passar de R$ 2,9 mil na média nacional.
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