
Foto: Arquivo pessoal
Motoristas de ônibus no YouTube ganharam espaço mostrando bastidores da profissão, viagens, manobras, curiosidades dos veículos e situações do dia a dia. O conteúdo costuma atrair apaixonados por ônibus, passageiros curiosos e profissionais do setor. Porém, a exposição também criou uma área delicada entre fama na internet, regras internas das empresas e conduta no trabalho.
Nos casos apurados, não existe dado público que mostre uma onda de demissões apenas porque o motorista criou um canal. O que aparece com mais força é outro cenário: o problema surge quando o vídeo envolve crítica direta à empresa, gravação durante o expediente, imagem de terceiros, uso de celular ao volante ou exposição de alguma informação considerada interna.
Um dos nomes mais conhecidos desse meio é Waguinho Guitar, motorista que ficou famoso falando sobre ônibus e carreira. Em entrevista ao Brasil Caminhoneiro, ele relatou que perdeu o emprego após publicar um vídeo criticando as condições de um terminal no Rio de Janeiro. O mesmo canal que teria causado desgaste também abriu portas para uma oportunidade profissional fora do Brasil, em Angola.
Outro caso conhecido envolve Matheus Kafica, motorista e criador de conteúdo sobre transporte público. Ele foi desligado da Sambaíba, em São Paulo, após passar mal e um cobrador habilitado levar o ônibus vazio até a garagem. A demissão foi divulgada pelo Diário dos Trilhos e não teve como ponto central o canal em si, mas uma ocorrência operacional registrada e levada à empresa.
Há ainda situações em que o vídeo nem foi publicado pelo próprio profissional. No Espírito Santo, um motorista foi demitido por justa causa após ser flagrado assistindo vídeo no celular enquanto dirigia. A gravação, feita por passageiro, pesou contra ele porque envolvia segurança durante a condução.
Por outro lado, também existem motoristas que usam as redes sem registro público de demissão ligada ao conteúdo. Leandro Arara, por exemplo, ganhou público ao transformar vivências no ônibus em vídeos de humor e relatos pessoais. O caso mostra que a internet pode ampliar a voz do profissional, mas também deixa sua imagem mais exposta.
No fim, o risco não parece estar no YouTube sozinho. O ponto sensível está no que é gravado, quando é gravado e como a empresa interpreta aquele conteúdo dentro da relação de trabalho.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 14 de junho de 2026 18:40
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