Agronegócio

Com chegada de grandes frigoríficos, pequenos pecuaristas reclamam de queda no valor do gado

O avanço dos grandes frigoríficos em diversas regiões do país tem gerado preocupação entre pequenos produtores de gado. Muitos pecuaristas afirmam que a concentração do mercado nas mãos de poucas empresas reduziu o poder de negociação de quem trabalha com rebanhos menores.

Em várias cidades do interior, produtores relatam que a chegada de grandes compradores trouxe mudanças na forma de comercialização do gado. Segundo eles, o número de opções para venda diminuiu ao longo dos anos, fazendo com que muitos acabassem aceitando os preços oferecidos pelas indústrias.

A reclamação é comum principalmente entre criadores independentes, que possuem menor volume de animais e encontram mais dificuldade para negociar valores considerados justos no momento do abate.

Outro fator citado pelos produtores é o aumento dos custos de produção. Gastos com ração, suplementos minerais, medicamentos, combustível e mão de obra cresceram nos últimos anos. Em alguns casos, a valorização do boi não acompanhou esse aumento das despesas.

Enquanto isso, grandes frigoríficos argumentam que os preços pagos são definidos pelo mercado, levando em conta oferta, demanda, exportações e consumo interno. O setor também destaca que a indústria enfrenta custos operacionais elevados e precisa seguir exigências sanitárias cada vez mais rigorosas.

Especialistas do agronegócio apontam que a concentração do mercado frigorífico é um tema debatido há anos. Em determinadas regiões, poucos compradores disputam grandes volumes de animais, o que pode reduzir a concorrência na compra do gado.

Para pequenos pecuaristas, o cenário aumenta a necessidade de planejamento e gestão da propriedade. Muitos produtores passaram a investir em genética, manejo e ganho de produtividade para tentar compensar margens cada vez mais apertadas.

A discussão continua dividindo opiniões no campo. Enquanto parte dos criadores acredita que a presença dos grandes frigoríficos trouxe mais estrutura para o setor, outros afirmam que o pequeno produtor perdeu força nas negociações e enfrenta dificuldades para manter a rentabilidade da atividade.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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