Agro acende alerta de crise após 3.796 pedidos de recuperação judicial no atual governo

O agronegócio brasileiro somou 3.796 pedidos de recuperação judicial entre 2023 e 2025, os três primeiros anos do atual governo federal. O número mostra que a dificuldade financeira ganhou força no campo, mesmo com safras grandes e exportações em alta.
A conta reúne 534 solicitações feitas em 2023, 1.272 em 2024 e outras 1.990 em 2025. Os dados são da Serasa Experian e apontam uma subida rápida. Em apenas dois anos, o total anual ficou quase quatro vezes maior.
Existe um detalhe que precisa ficar claro: os 3.796 pedidos não foram feitos somente por produtores rurais. O levantamento também inclui agricultores que trabalham como pessoa física, produtores com CNPJ e empresas ligadas à cadeia do agro, como indústrias, revendas, atacadistas e prestadores de serviços.
Mesmo com essa diferença, o peso dos produtores rurais aumentou bastante. Em 2024, somente os agricultores que atuavam como pessoa física fizeram 566 pedidos. Outros 409 vieram de produtores com perfil jurídico. As empresas relacionadas ao setor responderam por 297 solicitações naquele ano.
Em 2025, a pressão ficou ainda maior. Os produtores rurais com CNPJ apresentaram 753 pedidos, alta de 84,1% sobre 2024. As empresas da cadeia agro registraram 384 solicitações. O ano terminou com o maior resultado desde o começo da série da Serasa, em 2021.
Juros altos, crédito mais difícil, insumos caros e perdas provocadas pelo clima estão entre os motivos apresentados para essa escalada. Também existem produtores que aumentaram a área plantada, compraram máquinas ou assumiram novos arrendamentos quando os preços das commodities estavam melhores. Com a margem menor, a parcela da dívida continuou chegando.
A recuperação judicial é usada quando o devedor não consegue manter os pagamentos normalmente e precisa negociar com os credores sob proteção da Justiça. Não significa que a fazenda fechou, mas mostra que o caixa já chegou a um ponto delicado.
O avanço ocorreu durante o atual governo, mas parte das dívidas nasceu antes de 2023. Secas, alta dos fertilizantes e aumento forte dos juros já pressionavam agricultores em 2021 e 2022. Os números mais recentes mostram que o problema, em vez de recuar, ficou mais pesado.
A Serasa também faz uma ressalva: os pedidos ainda representam uma parcela pequena diante de aproximadamente 1,4 milhão de produtores que acessaram crédito rural em dois anos. Mesmo assim, o salto de 534 para 1.990 solicitações anuais expõe um grupo cada vez maior sem dinheiro suficiente para pagar bancos, fornecedores, máquinas e despesas da produção.
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