
Foto: Bruno Costa
A passagem de ônibus entrou no centro da discussão sobre o fim da escala 6×1 porque as empresas do setor calculam que a mudança na jornada pode aumentar a folha de pagamento e pressionar contratos com prefeituras.
A projeção mais citada veio da NTU, associação que representa empresas de ônibus urbanos. A entidade calcula que, em alguns cenários, a tarifa ao passageiro poderia subir entre 6% e 8%, caso todo o aumento de custo fosse repassado ao preço final.
O ponto principal está na operação diária. Diferente de áreas que conseguem reorganizar parte do trabalho com horários flexíveis, o ônibus precisa manter escala de garagem, linhas, partidas, intervalos e equipes em campo durante a semana toda. Quando a jornada muda, a empresa pode precisar contratar mais gente para cobrir os mesmos horários.
A simulação do setor considera uma operação com 100 ônibus. Nesse modelo, a troca da escala 6×1 por uma escala 5×2 elevaria a quantidade de condutores necessários e aumentaria o custo mensal com mão de obra em torno de 13% a 15%.
Esse número não significa que a passagem suba automaticamente no mesmo tamanho. A tarifa depende da composição total dos custos, que também inclui diesel, manutenção, pneus, peças, garagem, renovação de frota e despesas administrativas.
O Ipea também analisou o impacto da redução da jornada para 40 horas semanais. No setor de transporte terrestre, o estudo aponta aumento de 8,77% no custo por hora trabalhada. Quando esse dado é ponderado pelo peso da mão de obra no custo total, o impacto operacional estimado fica em 2,21%.
A passagem de ônibus não é definida livremente pelas empresas. O valor passa por planilhas, contratos e análise do poder público municipal ou estadual, conforme o modelo adotado em cada sistema.
Uma alta de custos pode virar reajuste, aumento de subsídio público ou uma mistura dos dois. Também pode haver revisão de escala, corte de horas extras, reorganização de linhas e negociação contratual antes de qualquer mudança no bolso do passageiro.
Por isso, o número de 8% deve ser lido como uma estimativa de pressão sobre a tarifa, não como aumento já definido. O impacto real vai depender da regra final aprovada, do prazo de adaptação, da situação financeira de cada sistema e do quanto cada cidade já banca para manter o ônibus rodando.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 16 de junho de 2026 20:23
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