O sistema escondido que impediu a Ponte Rio-Niterói de balançar com o vento.

Quem atravessa a Ponte Rio-Niterói hoje dificilmente imagina que, durante muitos anos, ventos relativamente comuns eram suficientes para fazer o vão central se movimentar de forma perceptível.
Antes de 2004, quando rajadas atingiam velocidades próximas de 55 km/h, a estrutura podia oscilar até 60 centímetros para cima e outros 60 centímetros para baixo. Para quem estava ao volante, a sensação era de que a ponte inteira estava se movendo sob os pneus.
Apesar do susto, os engenheiros sempre garantiram que a estrutura permanecia segura. O problema estava no desconforto causado aos usuários e nas frequentes interrupções do tráfego.
Durante alguns eventos, motoristas chegaram a abandonar veículos na pista por medo das oscilações. Em determinadas situações, a operação precisava ser interrompida até que as condições voltassem ao normal.
A tecnologia brasileira que resolveu o problema
A solução surgiu dentro da engenharia nacional.
Pesquisadores da COPPE/UFRJ desenvolveram os chamados Atenuadores Dinâmicos Sincronizados, conhecidos pela sigla ADS. O equipamento foi instalado dentro da estrutura do vão central da ponte e mudou completamente o comportamento da travessia.
O sistema utiliza grandes caixas de aço conectadas por molas. Quando a ponte começa a se movimentar por causa do vento, esses equipamentos produzem forças que atuam na direção contrária, reduzindo rapidamente as vibrações.
Quanto a ponte balança hoje?
Antes da instalação do ADS, a oscilação podia alcançar cerca de 1,20 metro de deslocamento total. Atualmente, o movimento fica próximo de apenas 10 centímetros, valor praticamente imperceptível para quem está dirigindo.
Os estudos apontam uma redução superior a 80% nas oscilações provocadas pelo vento.
Caminhões também influenciavam no comportamento da ponte
Pesquisas realizadas após o problema mostraram outro detalhe curioso.
A presença de filas de veículos altos, especialmente caminhões e ônibus, podia aumentar a intensidade das oscilações em determinadas condições de vento. Isso acontecia porque os veículos alteravam o fluxo de ar ao redor da estrutura.
Mesmo assim, depois da instalação do ADS, esse comportamento deixou de representar um problema operacional para a ponte.
A Ponte Rio-Niterói ainda pode ser fechada?
Sim, mas por motivos diferentes.
Atualmente, ventos extremamente fortes ainda podem gerar interdições preventivas. Nesses casos, a preocupação está relacionada à segurança dos usuários, à possibilidade de objetos serem lançados pelo vento e à redução da visibilidade, e não mais às oscilações do vão central.
Redação – Brasil do Trecho