Humilhação da categoria, faltam caminhoneiros, mas salário não chega a R$ 3 mil

O Brasil depende dos caminhões para levar alimentos, remédios, combustível e matérias-primas. Porém, encontrar profissionais dispostos a assumir essa responsabilidade ficou difícil. Uma pesquisa empresarial da CNT mostrou que 65,1% das transportadoras apontaram a falta de motoristas como a principal dificuldade na contratação.
O contraste aparece no pagamento. Dados do Portal Salário, calculados a partir do Caged, indicam remuneração-base média de R$ 2.703,60 por mês para motorista de caminhão. A mediana está em R$ 2.700, e 75% dos registros chegam somente a R$ 3 mil. O levantamento considera contratos CLT e não inclui horas extras, adicionais, comissões ou benefícios.
Na prática, o valor fica perto de R$ 3 mil para uma função que exige habilitação específica, cursos, experiência, atenção constante e responsabilidade por veículos e cargas de valor. Também há cobrança por prazos, conferência de documentos, inspeção do caminhão e cuidado com segurança. É aí que surge a sensação de humilhação: a diferença entre exigência e pagamento expõe a desvalorização.
A rotina ajuda a explicar por que as vagas perderam atratividade. A pesquisa Perfil dos Caminhoneiros, da CNT, de 2019, registrou média de 11,5 horas de trabalho por dia e 5,7 dias por semana. Longos períodos longe da família, locais de parada sem estrutura adequada, insegurança e cansaço completam um pacote pouco convidativo para quem pensa em entrar na profissão.
A renovação também anda devagar. Levantamento de 2025 da organização Childhood Brasil encontrou idade média próxima de 45 anos e 17 anos de profissão. Já os dados recentes do Portal Salário apontam idade típica de 43 anos entre empregados formais. A presença feminina permanece pequena: somente 1,9% das admissões analisadas eram de mulheres.
O mercado ainda mostra forte troca de pessoal. Entre junho de 2025 e maio de 2026, foram 575.730 admissões e 578.918 desligamentos de motoristas de caminhão. A rotatividade ficou perto de 50%, sinal de que contratar não basta quando a empresa não consegue manter o profissional.
Para ampliar a entrada de novos condutores, o SEST SENAT lançou edital do programa Mais caminhoneiros. A iniciativa custeia a mudança de categoria da CNH e cursos, reduzindo uma barreira para quem deseja trabalhar com caminhão.
Nos últimos 12 meses, a pesquisa salarial também apontou aumento de 11,4% no volume de contratações, de 148.631 para 165.517 admissões entre os trimestres comparados. No acumulado, porém, o balanço terminou com 3.188 desligamentos a mais que contratações entre motoristas de caminhão no mercado formal.
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