Transportadoras dizem que falta caminhoneiro, mas fecham a porta para quem quer começar

A conta não fecha no transporte de cargas. Transportadoras dizem que não encontram caminhoneiros, deixam veículos parados e demoram mais para preencher vagas. Do outro lado, há gente com CNH nas categorias C, D ou E, cursos feitos e vontade de trabalhar, mas sem conseguir a primeira oportunidade.
O Brasil perdeu cerca de 1,2 milhão de motoristas habilitados para caminhões em dez anos. A queda ficou próxima de 22%. No mesmo período, a frota de caminhões cresceu perto de 50%, passando de 5,3 milhões para 8 milhões de veículos. Um levantamento da NTC&Logística aponta ainda que 88% das empresas enfrentam dificuldade para contratar motoristas e agregados. oa parte das vagas já começa pedindo experiência comprovada. Em alguns anúncios, a cobrança chega a dois anos de registro em carteira.
É aí que o iniciante trava. Ele investe na mudança da categoria da CNH, paga exames, faz cursos e mantém o toxicológico em dia, mas não passa da primeira seleção porque nunca trabalhou com caminhão. ratação, não existe experiência. Sem experiência, não existe contratação.
As empresas alegam que não podem entregar um veículo pesado, uma carga cara e uma rota longa para alguém sem prática. Seguro, manobra, consumo de combustível, rastreamento e risco de acidente pesam na escolha. O cuidado tem motivo, mas a forma de contratar mantém o problema: todas disputam o mesmo grupo de profissionais prontos e poucas aceitam formar gente nova.
Uma pesquisa nacional da CNTA, realizada em 2024, mostrou que o caminhoneiro brasileiro tem, em média, 46 anos e está há 17 anos na profissão. Mais da metade dos entrevistados afirmou que pretende deixar a estrada, aumentando a necessidade de preparar novos condutores. a seria colocar os recém-habilitados em rotas curtas, com veículos menores e acompanhamento de motoristas mais antigos. Avaliações práticas e programas internos também ajudariam a testar o candidato antes de viagens mais longas.
A procura pela profissão existe. Na primeira edição do programa Mais Motoristas, do SEST SENAT, mais de 55 mil pessoas se inscreveram. Em 2026, a iniciativa voltou a custear mudança de categoria da CNH, exames e capacitação profissional para novos condutores. as transportadoras pedem profissionais prontos, candidatos habilitados continuam ouvindo que precisam ter experiência. A primeira chance, aquela que resolveria parte da falta de caminhoneiros, segue rara.
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