Caminhoneiros sumindo: Brasil pode parar de rodar nos próximos anos

O Brasil depende quase totalmente das estradas para mover mercadorias. Hoje, caminhoneiros transportam a maior parte do que chega às prateleiras e aos portos. Mas uma conta simples preocupa o setor: os profissionais mais experientes estão envelhecendo e poucos jovens querem seguir o mesmo caminho.
Pesquisas recentes mostram que a idade média dos motoristas autônomos fica em torno de 46 anos. Poucos têm menos de 35. Muitos que hoje rodam já pensam em pendurar as chuteiras nos próximos anos, e a reposição não acompanha o ritmo. Com o crescimento do agronegócio e do e-commerce, a demanda por frete só aumenta, enquanto o número de gente disposta a pegar a estrada cai.
O envelhecimento da frota de caminhões também joga contra. A média de idade dos veículos passa dos 15 anos em várias regiões. Caminhões mais velhos exigem mais manutenção, consomem mais combustível e param com maior frequência. Isso eleva o custo do transporte e, no final, pesa no bolso de quem consome.
Empresas de logística e produtores rurais já sentem o aperto. Em algumas épocas de safra, a oferta de caminhões fica curta e os preços do frete disparam. Produtos como soja, milho e carne podem demorar mais para chegar aos mercados, criando gargalos que afetam toda a cadeia.
O que afasta a nova geração? A vida na boleia é dura: dias longe da família, condições de descanso ruins em muitos trechos, violência nas rodovias e remuneração que nem sempre compensa o desgaste. Muitos preferem profissões com horários mais previsíveis e menos riscos.
Associações do setor acompanham o problema de perto. Sem medidas que atraiam mais gente para a profissão — como treinamento acessível, melhores condições de trabalho e incentivos —, a conta pode ficar ainda mais apertada em breve. A economia brasileira, que tanto depende do transporte rodoviário, sente o risco de um desequilíbrio que pode comprometer o fluxo de mercadorias em várias partes do país.
Comentários
0