Justiça manda bancos devolver R$ 92 mil de caminhoneiro vítima de golpe do falso frete

Um caminhoneiro de Mato Grosso do Sul conseguiu na Justiça o ressarcimento de quase R$ 92 mil após ser vítima de um golpe do falso frete que terminou em sequestro e cárcere privado em março de 2022. A decisão da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul confirmou a condenação dos bancos Bradesco e Sicredi, que haviam sido acionados na Justiça pelo motorista.
O caso começou quando o profissional foi chamado por meio de um aplicativo para transportar mercadorias de Jaguari (SP) até Ponta Porã (MS). Ao chegar ao local combinado, ele foi rendido e mantido refém por dois dias. Durante esse período, os criminosos não só furtaram o caminhão dele que foi recuperado em Dourados dias depois como também usaram seus dados para fazer saques, transferências e até empréstimos bancários em seu nome.
Na ação judicial, o caminhoneiro detalhou os prejuízos. No Sicredi, os bandidos fizeram um empréstimo pessoal de R$ 9.500 e esvaziaram a conta com transferências que somaram R$ 36.954,64. Já no Bradesco, foram dois empréstimos que totalizaram R$ 16.613,28, além de saques e transferências via PIX e TED que chegaram a R$ 103.448,96. No fim das contas, o prejuízo material foi de quase R$ 92 mil, valor que a Justiça determinou que os bancos devolvessem.
Bancos alegaram segurança, mas Justiça não aceitou
Tanto o Sicredi quanto o Bradesco tentaram se defender dizendo que não houve falha nos serviços e que as operações foram autorizadas com a senha pessoal e a biometria do cliente. O Sicredi ainda afirmou que um funcionário ligou para o motorista para confirmar as movimentações, mas a Justiça não considerou isso suficiente para isentar a instituição.
O Bradesco, por sua vez, alegou que os empréstimos foram feitos em caixa de autoatendimento com uso de cartão, senha e biometria. Mesmo assim, os desembargadores entenderam que os bancos não tomaram medidas suficientes para evitar a fraude, principalmente considerando que o cliente estava em cárcere privado durante as transações.
Esse tipo de golpe não é novidade no Brasil. O falso frete costuma atrair caminhoneiros com promessas de fretes altos, mas acaba em sequestros, furtos e até mortes. Em 2023, outro caso chamou atenção quando uma antena de caminhão foi usada como isca para atrair vítimas. A Justiça tem sido cada vez mais rigorosa com bancos nesses casos, exigindo que eles reforcem a segurança nas transações online.
A informaçõe sobre o caso foi dado em primeira mão pelo campograndenews