Renault criou caminhões premiados, mas ficou atrás de Scania e Volvo

A Renault tem mais de um século de ligação com veículos comerciais, mas sua trajetória nos caminhões foi construída por várias empresas francesas. Marius Berliet produziu seu primeiro caminhão em 1906. Já a divisão de pesados da Renault se uniu à Latil e à Somua para formar a Saviem em 1955. Em 1978, Saviem e Berliet foram reunidas na Renault Véhicules Industriels, origem da atual Renault Trucks.
Essa mistura de marcas ajudou a criar bons produtos, mas também dificultou a construção de uma identidade única. Durante décadas, nomes como Berliet, Saviem, Renault V.I. e Renault Trucks apareceram em fases diferentes. Enquanto Scania e Volvo mantiveram uma imagem mais contínua no segmento pesado, a fabricante francesa passou por fusões, mudanças de nome e reposicionamentos.
Mesmo com essa trajetória irregular, alguns caminhões Renault marcaram época. Lançado em 1990, o AE Magnum trouxe cabine elevada, piso plano e separação entre cabine e motor, solução bastante avançada naquele período. O modelo recebeu o prêmio International Truck of the Year de 1991. O Premium, produzido a partir de 1996, ganhou espaço pela economia de combustível, enquanto o Renault T, apresentado em 2013, venceu a mesma premiação em 2015.
O desempenho abaixo de Scania e Volvo em prestígio não pode ser explicado apenas pela qualidade dos veículos. A Renault ficou mais concentrada na Europa, teve menor presença simbólica em mercados importantes de longa distância e nem sempre conseguiu transformar suas soluções técnicas em uma imagem de marca desejada pelos motoristas. O Magnum era ousado, mas seu desenho dividia opiniões. O Premium priorizava custo operacional, porém não transmitia o mesmo status de alguns rivais suecos.
Outro ponto importante ocorreu em 2001, quando a Renault V.I. passou a fazer parte do Volvo Group. A mudança trouxe escala, componentes compartilhados e maior capacidade de desenvolvimento, mas também colocou a Renault Trucks dentro do mesmo grupo de uma concorrente com imagem mais forte no caminhão pesado. A marca Renault Trucks foi oficializada no ano seguinte.
Por isso, chamar os caminhões Renault de fracasso absoluto seria incorreto. Em 2024, a fabricante entregou 56.898 veículos e alcançou 9,1% do mercado europeu de caminhões acima de 16 toneladas. A Renault não desapareceu nem deixou de vender. Hoje, está presente em mais de 150 países e mantém cerca de 1.500 pontos de atendimento. Seu maior limite foi não conquistar o mesmo prestígio internacional de Scania e Volvo, apesar de ter produzido modelos premiados, econômicos e tecnicamente avançados.
Comentários
0