Salário curto, volante vazio: por que faltam motoristas de ônibus

O setor de transporte de passageiros está com dificuldade para colocar novos profissionais no volante. Em várias empresas, as vagas aparecem, mas o número de candidatos não acompanha a necessidade. O salário oferecido, somado à pressão diária e à responsabilidade de levar dezenas de pessoas, tem afastado quem pensa em entrar na profissão.
Convenções coletivas registradas no Ministério do Trabalho em 2025 mostram pisos próximos de R$ 3 mil para motoristas de ônibus rodoviários, de fretamento e turismo. Os valores mudam conforme a região e o tipo de serviço, mas nem sempre convencem diante das cobranças do trabalho. Há empresas que oferecem benefícios e adicionais, porém o ganho final ainda é visto como baixo por parte dos trabalhadores.
Em cidades maiores, o custo de vida torna a diferença entre esforço e pagamento ainda mais visível.
Para assumir um ônibus, não basta saber dirigir. O profissional precisa da habilitação adequada e de curso especializado para transporte coletivo de passageiros. Esse caminho exige tempo, documentação e investimento. Quando o retorno financeiro parece pequeno, parte dos candidatos prefere buscar outra atividade, como transporte por aplicativo, entregas ou condução de caminhões.
No transporte interestadual, a falta de mão de obra já aparece com força. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros, divulgados pela CNN Brasil em julho de 2026, apontam déficit de cerca de 30%. O segmento tem pouco mais de 60 mil motoristas, mas precisaria de quase 86 mil para atender à demanda das empresas.
O problema não está apenas no salário. Viagens noturnas, noites fora de casa, contato direto com passageiros, trânsito pesado e risco de acidentes também entram na conta. Ao mesmo tempo, a categoria está envelhecendo. Boa parte dos motoristas rodoviários tem entre 40 e 50 anos, enquanto os mais jovens demonstram pouco interesse em seguir o mesmo caminho.
Empresas ainda recorrem a profissionais aposentados ou oferecem treinamento para quem já possui parte dos requisitos. A medida ajuda a preencher algumas escalas, mas não resolve a renovação da categoria. Sem uma remuneração que acompanhe a responsabilidade e condições de trabalho mais atraentes, o banco do motorista tende a continuar vazio.
A falta de profissionais pode aparecer na rotina do passageiro por meio de escalas apertadas, dificuldade para ampliar linhas e maior dependência de horas extras. Para quem está do lado de fora procurando emprego, a vaga existe. O que falta é a conta fechar no fim do mês.
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