Caminhoneiros com menos de 30 viram raridade e salário ajuda a explicar

A presença de caminhoneiros com menos de 30 anos na boleia encolheu. Apenas 16% dos profissionais contratados no Brasil tinham até 29 anos, conforme levantamento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os dados consideram as admissões registradas no Caged entre janeiro de 2023 e junho de 2024.
Na prática, de cada 100 caminhoneiros admitidos pelas empresas, somente 16 estavam nessa faixa de idade. Dois em cada três contratados tinham de 30 a 49 anos, enquanto a média chegou aos 40.
O salário oferecido na entrada ajuda a entender por que o caminhão perdeu espaço entre os mais novos. De acordo com o relatório, os contratados com até 29 anos recebiam, em média, R$ 2.239 por mês. O valor era cerca de 6% menor que o pago aos motoristas de 40 a 59 anos.
Mesmo a média geral ficou apertada. No primeiro semestre de 2024, o salário de admissão dos caminhoneiros foi de R$ 2.436. É uma remuneração que nem sempre chama a atenção de quem está escolhendo uma profissão, principalmente quando entram na conta a responsabilidade pela carga, as horas ao volante e os períodos longe de casa.
Também existe o custo para chegar até a cabine. O candidato precisa avançar nas categorias da Carteira Nacional de Habilitação, cumprir prazos, fazer exames e pagar taxas. Dependendo do veículo ou do tipo de carga, ainda pode precisar de cursos específicos. O começo acaba ficando mais demorado e caro.
A rotina também pesa. Viagens longas, pouco conforto nos pontos de parada, risco de roubo e distância da família aparecem entre as queixas da categoria. Uma pesquisa nacional com caminhoneiros autônomos apontou ainda problemas com remuneração, segurança e estrutura disponível nas estradas.
Antigamente, era comum o filho aprender com o pai e continuar no caminhão. Essa passagem de profissão perdeu força. Parte dos próprios caminhoneiros não incentiva os filhos a seguir pelo mesmo caminho por causa das dificuldades encontradas no trabalho.
O levantamento da ANTT considera apenas empregos formais. Caminhoneiros autônomos ficaram fora da pesquisa. Também não é possível saber quantos admitidos estavam conseguindo o primeiro emprego na profissão e quantos apenas trocaram de transportadora.
Nas faixas mais velhas, 15% dos homens contratados tinham entre 50 e 59 anos e 4% já haviam completado 60. Entre as mulheres, os percentuais eram de 10% e 1%. Enquanto isso, a participação dos profissionais abaixo dos 30 permaneceu limitada aos mesmos 16%.
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