Brasil precisa de quase 26 mil motoristas de ônibus e salário já beira R$ 3 mil

Quem possui carteira de habilitação adequada e experiência com veículos pesados pode encontrar um mercado com falta de profissionais no Brasil. O transporte rodoviário interestadual precisa hoje de quase 86 mil motoristas, mas conta com pouco mais de 60 mil trabalhando no setor.
Na prática, existe uma diferença próxima de 26 mil profissionais entre o número atual de trabalhadores e o necessário para atender a demanda apontada pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati). Não significa, porém, que exista uma ordem ou previsão oficial para que todas essas contratações sejam feitas até dezembro de 2026. O número mostra o tamanho da mão de obra que falta hoje no segmento.
O déficit estimado pela entidade chega a aproximadamente 30%. A falta aparece com mais força em algumas partes do país, principalmente no Centro-Oeste. Empresas também vêm encontrando dificuldade para renovar seus quadros, já que boa parte dos profissionais atualmente na estrada está entre 40 e 50 anos.
E tem outro detalhe pesando nessa conta. Parte dos motoristas prefere trabalhos que permitam voltar para casa todos os dias. As viagens interestaduais normalmente exigem períodos longe da família e podem incluir trabalho noturno, algo que vem afastando parte dos candidatos. Outros profissionais migraram para o transporte de cargas.
O salário também entra nessa discussão. Dados do Novo Caged analisados pelo Portal Salário mostram que o motorista de ônibus rodoviário recebe, em média, R$ 2.895,54 por mês no Brasil. A mediana está em cerca de R$ 2.922, considerando trabalhadores CLT registrados nos últimos 12 meses. A jornada média informada é de 43 horas semanais.
Os valores mudam bastante conforme estado, empresa, experiência do profissional, tipo de linha e acordo coletivo. Há operações pagando acima dessa média, principalmente quando benefícios e adicionais entram na remuneração.
A dificuldade para colocar novos profissionais ao volante já levou o SEST SENAT a ampliar programas de formação. Em maio, foram anunciadas mais de 6 mil vagas para capacitação de condutores destinadas ao setor de transporte de passageiros e cargas. A medida tenta aumentar a quantidade de pessoas preparadas para trabalhar justamente onde as empresas encontram dificuldade para contratar.
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