Falta de motoristas deixa caminhões parados e vira problema para transportadoras no Brasil

Um caminhão parado no pátio normalmente lembra oficina, falta de carga ou problema financeiro. Só que transportadoras brasileiras estão enfrentando outro tipo de dor de cabeça: existe veículo pronto para trabalhar, mas falta motorista para pegar a estrada.
Uma pesquisa da NTC&Logística, divulgada em fevereiro de 2026, mostrou que 88% das empresas consultadas têm dificuldade para contratar motoristas e caminhoneiros agregados. Entre as transportadoras que disseram ter veículos parados, a média chegou a oito caminhões sem operação por empresa.
A falta de gente também começa a pesar no crescimento das empresas. No mesmo levantamento, 28,1% apontaram a mão de obra como uma das principais barreiras para crescer. Motoristas representam 19,5% dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas, segundo a pesquisa.
O problema não apareceu de uma hora para outra. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito citados pela Folha de S.Paulo mostram que o número de habilitados na categoria C caiu de 3,58 milhões em 2014 para 1,32 milhão em 2024, uma redução de 62,89%. O número precisa ser lido com cuidado: nem todo habilitado nessa categoria trabalha como caminhoneiro, e profissionais das categorias D e E também podem conduzir determinados veículos de carga.
A idade dos profissionais aumenta a preocupação. Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, divulgada em 2024, apontou idade média de 46 anos. Cerca de 28% tinham entre 46 e 55 anos e outros 23% já estavam acima dos 56.
Na prática, há empresa perdendo serviço porque tem o equipamento, mas não encontra o “piloto”. O presidente do Setcergs, Delmar Albarello, relatou que existem caminhões parados por falta de motorista e transportadoras mantendo vagas abertas.
A profissão ainda disputa trabalhadores com atividades que permitem ficar mais perto de casa. Longos períodos longe da família, insegurança nas estradas, dificuldade para encontrar locais adequados de descanso e os gastos para chegar às categorias profissionais da CNH aparecem entre os obstáculos para atrair novos caminhoneiros.
A falta virou um problema grande o bastante para o SEST SENAT manter o programa Mais Motoristas, que custeia a mudança da CNH para categorias profissionais e oferece formação. Em julho de 2026, a iniciativa informou ter superado 138 mil inscrições.
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