Perto do fim do mandato, promessa de “abrasileirar” a gasolina ainda vingou.

A poucos meses do fim do atual mandato, uma frase usada por Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de 2022 voltou a ganhar espaço na discussão sobre combustíveis: a promessa de “abrasileirar” os preços da gasolina e do diesel.
Na época, Lula criticava a política que mantinha os preços da Petrobras diretamente ligados à paridade de importação. Em maio de 2023, já no governo, a estatal mudou sua estratégia comercial e deixou de ter subordinação obrigatória ao PPI. A Petrobras passou a considerar fatores como o custo alternativo para seus clientes e o valor do produto para a própria companhia.
O governo tratou aquela mudança como o início do chamado “abrasileiramento” dos combustíveis. Isso não significou, porém, criar um preço exclusivamente brasileiro ou impedir novos aumentos. Os valores continuam sujeitos ao mercado, e a própria Petrobras afirma que observa referências nacionais e internacionais em sua política comercial.
Enquanto a discussão sobre preços continua, outra mudança ficou bem visível para o motorista na bomba. Em agosto de 2025, a quantidade obrigatória de etanol anidro na gasolina comum passou de 27% para 30%.
Um ano depois veio uma nova alteração. Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum e a comum aditivada comercializadas no país passaram temporariamente a utilizar 32% de etanol anidro. A medida vale inicialmente por 180 dias e pode ser prorrogada uma vez pelo mesmo período. A gasolina premium permanece com 25% de etanol.
Por isso, a discussão em torno da antiga promessa tem dois lados diferentes. A política de preços realmente foi modificada em 2023, mas “abrasileirar” nunca significou estabelecer um valor fixo ou desvincular completamente os combustíveis das condições internacionais. Ao mesmo tempo, o consumidor passou a abastecer uma gasolina com uma parcela maior de biocombustível.
A própria ANP explica que o preço encontrado no posto não depende apenas da Petrobras. Entram nessa conta o preço nas refinarias, impostos, custo do biocombustível misturado, despesas das empresas e margens de distribuição e revenda.
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