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Caminhoneiro

Bolsonaro deu auxílio, Lula mexeu no frete, caminhoneiros tiveram tratamentos bem diferentes

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Bolsonaro deu auxílio, Lula mexeu no frete, caminhoneiros tiveram tratamentos bem diferentes
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Quando a conversa é sobre Lula e Bolsonaro entre os caminhoneiros, o preço do diesel quase sempre aparece primeiro. Só que olhar apenas para a bomba não mostra tudo. Os dois governos adotaram caminhos diferentes para tentar aliviar os custos de quem trabalha transportando carga pelo Brasil.

No governo Bolsonaro, principalmente em 2022, houve medidas que chegaram diretamente ao caminhoneiro autônomo. O Benefício Caminhoneiro-TAC pagou R$ 1 mil por mês durante seis parcelas, entre julho e dezembro daquele ano. Também foi criado o MEI Caminhoneiro, com regras próprias para facilitar a formalização dos transportadores autônomos.

Outra medida daquele período foi a redução dos impostos federais sobre diesel e biodiesel. A legislação deixou PIS/Cofins zerados sobre esses combustíveis até o fim de 2022. Também houve mudanças nas regras relacionadas ao piso mínimo do frete.

O problema estava justamente no combustível. Em junho de 2022, o diesel S10 chegou à média nacional de R$ 7,034 por litro, segundo levantamento da ANP. Na comparação com um ano antes, a alta passava de 50%. Naquele momento, a própria Petrobras informava que sua política continuava alinhada aos preços internacionais.

Com Lula, uma das primeiras mudanças veio na Petrobras. Em maio de 2023, a empresa abandonou a obrigação de seguir diretamente a paridade de importação e passou a usar uma nova estratégia para gasolina e diesel. A companhia continuou olhando o mercado internacional, mas ganhou mais liberdade para segurar oscilações de curto prazo.

Em 2026, a Petrobras informou preço médio de R$ 3,30 por litro do diesel A vendido às distribuidoras, após medidas de subvenção do governo. A própria estatal afirmou que esse valor estava 37,4% abaixo do praticado no fim de 2022, considerando a inflação. Isso não significa diesel de R$ 3,30 no posto, já que impostos, biodiesel, distribuição e margem de revenda entram depois na conta.

O diesel, aliás, continuou dando dor de cabeça. Em março de 2026, a ANTT usou uma média nacional de R$ 7,35 por litro para atualizar o piso mínimo do frete após o combustível ultrapassar o gatilho previsto em lei.

Outra mudança no período de Lula veio justamente no frete. Em 2026, a ANTT aumentou a fiscalização eletrônica e criou mecanismos para impedir operações abaixo do piso mínimo já na emissão do CIOT, tentando atacar uma reclamação antiga dos autônomos: tabela existente no papel, mas nem sempre respeitada na contratação.

Também entrou em operação o programa do BNDES para renovação de caminhões, com R$ 10 bilhões em crédito, sendo R$ 6 bilhões de recursos federais e outros R$ 4 bilhões do próprio banco. Caminhoneiros autônomos estão entre os públicos que podem buscar financiamento.

Olhando as medidas lado a lado, Bolsonaro teve ações mais visíveis de dinheiro direto e redução tributária em 2022, enquanto Lula concentrou parte maior das ações em preço da Petrobras, crédito e fiscalização do frete. Ao mesmo tempo, os dois períodos enfrentaram momentos em que o diesel passou da casa dos R$ 7, mostrando por que a resposta sobre qual governo foi “melhor para o caminhoneiro” muda bastante dependendo do ponto analisado.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.