Motoristas de ônibus estão deixando o volante e empresas sentem falta de profissionais

A rotina atrás do volante já não está convencendo parte dos motoristas de ônibus a permanecer na profissão. Empresas de transporte enfrentam dificuldade para preencher vagas, enquanto profissionais com anos de experiência começam a procurar outras formas de ganhar dinheiro.
O problema não está apenas na falta de pessoas com carteira de habilitação categoria D. Trânsito pesado, cobrança para cumprir horários, escalas cansativas, responsabilidade por dezenas de passageiros e situações de violência fazem parte do dia a dia de quem trabalha dirigindo ônibus.
Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), realizada em 2023, mostrou que 53,4% das empresas de transporte urbano consultadas apontavam falta de motoristas. O mesmo levantamento mostrou que 33,3% das empresas enxergavam baixa atratividade na profissão. O dado é de 2023, mas a dificuldade continua sendo relatada pelo setor em 2026.
Para quem está no volante há muitos anos, o desgaste pesa. O motorista precisa enfrentar congestionamentos, manter atenção constante e seguir uma programação que pode ser afetada por acidentes, obras ou trânsito parado. Quando o ônibus atrasa, é comum a reclamação chegar primeiro ao condutor, mesmo quando ele não teve como evitar o problema.
As condições de trabalho também aparecem nas queixas. Em uma audiência pública realizada em Belo Horizonte, em junho de 2026, motoristas relataram problemas como jornadas excessivas, atrasos salariais e veículos com falhas de manutenção.
O salário é outro ponto que entra nessa conta. Os valores mudam bastante de acordo com a cidade, empresa e tipo de transporte. Há acordos coletivos registrados em 2026 com pisos acima de R$ 3 mil para determinadas funções, mas a remuneração nem sempre é considerada suficiente diante da responsabilidade e da pressão enfrentadas durante o serviço.
Enquanto veteranos saem, empresas tentam formar novos profissionais. Algumas passaram a investir em treinamento interno e capacitação para conseguir colocar novos motoristas nas ruas. O desafio é encontrar trabalhadores interessados em assumir uma rotina que exige habilitação específica, preparação e disposição para passar boa parte do dia dentro de um ônibus.
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