Frota de ônibus milionária e piso de R$ 3,6 mil, os números do transporte
Motoristas de ônibus do fretamento e turismo de São Paulo e região têm piso salarial de R$ 3.663,66 por mês. Do lado das garagens, uma renovação de frota anunciada pelo Grupo JCA alcançou investimento médio de aproximadamente R$ 2,15 milhões por veículo.
O anúncio foi feito em novembro de 2025 e envolvia cerca de R$ 1,4 bilhão para 650 ônibus. A média resulta da divisão desses valores. Ela não significa que todos os modelos custaram o mesmo: o pacote reunia veículos para linhas rodoviárias e serviços de fretamento.
Já o piso divulgado pelo Sindifretur está em vigor desde maio de 2026. É o valor básico previsto na negociação da categoria naquela região, antes de adicionais e benefícios. Não representa a média nacional nem informa quanto recebem, de fato, os empregados do Grupo JCA.
O tamanho do salário também pode ser observado pelo custo de sustentar uma casa. Em agosto de 2026, o Dieese calculou em R$ 7.565,86 o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas.
O piso desses motoristas corresponde a cerca de 48% dessa referência.
A estimativa considera dois adultos e duas crianças, com despesas de alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e outros gastos. Trata-se de um parâmetro de orçamento familiar, diferente do salário mínimo legal. Um trabalhador que receba apenas o piso, sem outras rendas na família, ficaria abaixo desse valor.
A compra de um ônibus e o pagamento de salários são despesas diferentes. O veículo é um bem usado durante anos para prestar o serviço; a folha precisa ser paga todos os meses. Sem conhecer receitas, dívidas e custos de cada empresa, o preço da frota, sozinho, não revela quanto ela consegue destinar a reajustes.
Na apresentação da renovação, o Grupo JCA destacou recursos de segurança dos novos veículos, como assistência à condução e sistema antitombamento. O pacote incluía ônibus destinados à 1001, à Catarinense e à Cometa. A modernização anunciada também previa substituir modelos antigos que ainda estavam em operação.
Para os trabalhadores abrangidos pela tabela do Sindifretur, o próximo aumento já tem data: 1º de novembro de 2026. O piso passará a R$ 3.733,44, acréscimo de R$ 69,78 por mês. A negociação também prevê vale-refeição de R$ 42 por tíquete desde julho e participação nos lucros e resultados de R$ 1.650 para motoristas, conforme as condições divulgadas pelo sindicato. O pagamento da participação está previsto para ocorrer até 30 de abril de 2027.
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