Caminhoneiros experientes passam a escolher transportadoras com salários maiores e mais benefícios
A falta de motoristas profissionais está mudando a relação entre caminhoneiros e transportadoras. Quem possui CNH E, experiência com carreta e bom histórico profissional encontra um mercado no qual várias empresas disputam o mesmo trabalhador.
Levantamento apresentado pela Confederação Nacional do Transporte mostra que 65,1% das empresas do setor têm dificuldade para contratar motoristas profissionais. Além disso, 44,6% relatam possuir vagas abertas.
Essa falta de profissionais aumenta o poder de escolha de quem já possui experiência. Segundo levantamento divulgado pela NTC&Logística, empresas relatam maior competição por motoristas experientes, situação que já pressiona salários e aumenta a troca de profissionais entre transportadoras.
Na prática, um carreteiro experiente pode comparar propostas antes de aceitar uma vaga. Salário é uma parte da conta, mas benefícios, tipo de rota, tempo fora de casa, qualidade do caminhão e frequência de retorno também entram na decisão.
Plano de saúde, vale-alimentação, seguro de vida, premiações, diária, participação nos resultados e pagamento por produtividade podem deixar uma vaga mais interessante. Para quem passa vários dias viajando, uma escala que permita voltar para casa com maior frequência também pode pesar tanto quanto o salário.
Uma pesquisa com motoristas citada pela NTC mostrou que 57% apontaram renda competitiva como um dos atrativos da profissão. Por outro lado, 58% citaram baixa remuneração entre os fatores que afastam trabalhadores do setor.
O tempo com a família também aparece entre as preocupações. Na pesquisa da CNTTT citada pela entidade, 81% dos motoristas disseram preferir cumprir o descanso semanal em casa.
Isso ajuda a explicar por que uma empresa pode oferecer salário maior e, ainda assim, perder um motorista para outra transportadora que ofereça viagens menores, caminhões melhores ou uma escala considerada mais atraente.
Para as empresas, segurar um profissional experiente também pode sair mais barato do que manter caminhões parados. Pesquisa da NTC&Logística aponta que 88% das transportadoras consultadas enfrentam dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as empresas com veículos parados por falta de condutores, a média chega a oito caminhões sem trabalhar.
Não existe um levantamento nacional dizendo exatamente quantos caminhoneiros estão trocando de empresa apenas por salários ou benefícios. Os dados disponíveis, porém, mostram que a falta de profissionais aumentou a disputa por motoristas experientes.
Para o caminhoneiro que possui experiência comprovada, isso significa uma mudança simples: em muitas regiões e operações, ele já não precisa aceitar a primeira vaga que aparece. Pode comparar salário, benefícios, escala e condições de trabalho antes de entregar a chave para uma transportadora.
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