Caminhoneiros deixam caminhão pesado para investir em Fiorino e trabalhar com entregas
Depois de anos rodando com carreta e caminhão pesado, alguns caminhoneiros estão tomando uma decisão que há pouco tempo poderia parecer estranha: vender ou deixar o pesado parado e investir em uma Fiat Fiorino para trabalhar com pequenas entregas.
A mudança está relacionada principalmente à rotina.
Quem trabalha em viagens longas pode permanecer vários dias ou até semanas longe de casa. Já uma Fiorino costuma atender operações locais e regionais, como entregas de comércio eletrônico, peças, medicamentos, encomendas, pequenos fretes e distribuição para empresas.
Em muitos casos, o motorista consegue começar pela manhã e retornar para casa no mesmo dia.
O próprio Brasil do Trecho já mostrou relatos de profissionais migrando para Fiorino e vans em busca de uma rotina menos pesada. Dependendo da região, contratos e quantidade de rotas, motoristas relataram faturamento bruto na faixa de R$ 6 mil a R$ 8 mil mensais trabalhando com Fiorino. O valor, porém, não representa lucro e pode variar bastante conforme combustível, manutenção, financiamento e quantidade de dias trabalhados.
Fiorino custa muito menos que um caminhão pesado
O investimento também ajuda a explicar a mudança.
Atualmente, a Fiat anuncia a Fiorino Endurance 1.3 Flex por preço de tabela na casa dos R$ 132 mil, embora existam ofertas inferiores para determinados públicos, como microempresários e produtores rurais.
Um caminhão pesado novo pode custar várias vezes esse valor, além de exigir despesas maiores com pneus, seguro, manutenção e combustível.
A Fiorino também transporta até 650 kg e possui 3,3 m³ de volume de carga, segundo a fabricante. É uma capacidade pequena quando comparada a um caminhão, mas suficiente para boa parte das operações de distribuição urbana.
Isso muda completamente o tipo de negócio.
O motorista deixa de depender de uma única viagem transportando toneladas e passa a buscar volume de entregas, rotas fixas e contratos frequentes.
E-commerce abriu espaço para veículos pequenos
O crescimento das entregas de última milha criou um mercado no qual veículos comerciais leves ganharam mais importância.
A Frota&Cia aponta que o avanço do comércio eletrônico abriu novas oportunidades para profissionais que trabalham com veículo próprio na distribuição de pequenas encomendas, movimentando também o mercado de utilitários.
Hoje existem operações com Fiorino em grandes mercados como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Distrito Federal, Salvador e outras capitais, com rotas ligadas a operadores de logística e empresas que atendem plataformas de comércio eletrônico.
Outra vantagem aparece justamente dentro das cidades.
Enquanto caminhões maiores enfrentam restrições de circulação, horários específicos e dificuldade para estacionar, a Fiorino consegue entrar em regiões onde um pesado teria muito mais dificuldade.
Mas trocar caminhão por Fiorino não significa ganhar mais
Esse é um ponto que precisa ficar claro.
Um caminhoneiro com bom contrato, caminhão quitado e fretes rentáveis pode faturar muito mais com o veículo pesado do que trabalhando em uma Fiorino.
A decisão de alguns profissionais não está necessariamente baseada em ganhar mais dinheiro.
Para parte deles, a conta envolve reduzir despesas e mudar de vida.
Se o motorista consegue trabalhar perto de casa, deixa de gastar tanto com alimentação na estrada, estacionamentos, manutenção pesada e longos períodos longe da família. Ao mesmo tempo, passa a depender de uma quantidade maior de entregas para fechar o faturamento do mês.
Uma Fiorino também tem custos: combustível, pneus, óleo, seguro, documentação, financiamento e depreciação precisam entrar na conta antes de aceitar qualquer contrato.
Em 2026, o modelo recebeu novamente o prêmio Campeão de Revenda na categoria furgoneta de carga. Segundo a Stellantis, a depreciação medida foi de 23,85%, resultado que a colocou como a menor da categoria analisada.
Para o caminhoneiro que passou décadas acostumado ao ronco de uma carreta, dirigir uma Fiorino carregada de encomendas pode parecer uma mudança enorme. Mas para quem procura voltar para casa todos os dias, trabalhar em trajetos menores e reduzir o dinheiro imobilizado no veículo, o pequeno furgão começou a ocupar um espaço que antes parecia reservado apenas aos entregadores urbanos.
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