Ônibus passam de R$ 2 milhões, mas salários dos motoristas ainda ficam perto dos R$ 3,5 mil
Comprar um ônibus novo pode exigir um investimento milionário. Em São Paulo, por exemplo, valores oficiais usados como referência mostram que um ônibus elétrico básico chega a R$ 2,47 milhões, enquanto um modelo Padron passa de R$ 2,79 milhões. Dependendo do tamanho, o preço supera facilmente os R$ 3 milhões.
Do outro lado dessa conta está o profissional que passa horas ao volante, transportando dezenas de passageiros e enfrentando trânsito, horários apertados e uma responsabilidade que não termina quando o ônibus sai da garagem.
Convenções coletivas registradas no Ministério do Trabalho em 2026 mostram pisos bem distantes dos valores envolvidos na compra dos veículos. Há acordos com salário de R$ 3.370,80 para motoristas urbanos e outros que estabelecem valores de R$ 3.664,77 ou R$ 3.721, dependendo da região e do tipo de operação. Os salários variam pelo país e podem aumentar com benefícios, horas extras e adicionais.
A comparação não significa que o dinheiro usado na compra de um ônibus poderia simplesmente ser transferido para salários. Veículos podem ser adquiridos por financiamento, programas públicos e contratos de concessão. Em São Paulo, por exemplo, parte da renovação da frota elétrica recebeu financiamentos públicos específicos para aquisição dos veículos.
Mesmo assim, a diferença ajuda a colocar outro problema na mesa: está cada vez mais difícil encontrar profissionais interessados em dirigir ônibus.
A própria Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) informou em maio de 2026 que mais da metade das empresas operadoras pesquisadas enfrenta dificuldades para contratar motoristas. A entidade também aponta que a mão de obra representa 43,1% dos custos do transporte coletivo urbano.
Dirigir um ônibus exige CNH adequada, qualificação profissional, atenção constante e responsabilidade sobre dezenas de vidas durante cada viagem. Ao mesmo tempo em que chegam veículos com ar-condicionado, câmeras, sistemas eletrônicos e tecnologia cada vez mais cara, o setor tenta descobrir como tornar novamente a profissão de motorista atraente para novos trabalhadores.
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