Ônibus já custam até R$ 4,8 milhões, mas salário dos motoristas ficou para trás

Um ônibus novo pode custar mais do que muita casa, apartamento ou até pequena empresa. Em São Paulo, os valores usados como referência pela prefeitura mostram que um ônibus elétrico articulado pode chegar a R$ 4,8 milhões. Enquanto a tecnologia embarcada fica cada vez mais cara, encontrar quem queira trabalhar atrás do volante virou outro problema.
A tabela oficial da Prefeitura de São Paulo, atualizada em junho de 2026, coloca um ônibus elétrico básico em cerca de R$ 2,48 milhões. Um modelo Padron passa de R$ 2,8 milhões e o articulado de 23 metros chega a R$ 4,806 milhões. Até os modelos a diesel possuem valores elevados, dependendo do tamanho e da configuração.
Do outro lado está o motorista. O salário muda bastante entre cidades, empresas e tipos de operação. Acordos coletivos registrados no Ministério do Trabalho em 2026 mostram pisos na casa de R$ 3,3 mil a R$ 3,7 mil para diferentes operações com ônibus. Em alguns mercados, os valores são maiores, mas ainda existe dificuldade para preencher as vagas.
A conta pesa quando entra a responsabilidade do trabalho. O profissional passa horas no trânsito, transporta dezenas de passageiros, precisa cumprir horários, trabalha aos finais de semana e feriados e ainda pode enfrentar trânsito pesado, reclamações e escalas pouco atrativas.
O problema já aparece nos números do transporte rodoviário. Dados da Abrati, divulgados em julho de 2026, indicam que o setor interestadual trabalha com pouco mais de 60 mil motoristas, mas precisaria de quase 86 mil. A diferença fica próxima de 26 mil profissionais, um déficit de aproximadamente 30%.
Para quem pensa em começar, também existe uma barreira antes mesmo da contratação. É necessário chegar à categoria adequada da CNH, cumprir as exigências para transporte de passageiros e, em muitas vagas, apresentar experiência.
Assim, empresas conseguem colocar ônibus de milhões de reais nas garagens, com ar-condicionado, câmeras, eletrônica embarcada e até propulsão elétrica, mas nem sempre conseguem formar e manter na mesma velocidade os profissionais necessários para conduzir essa frota.
Em agosto de 2026, empresas e entidades do setor ainda discutiam programas de formação e contratação para reduzir a falta de condutores. Algumas passaram a preparar candidatos que já possuem CNH D ou E, mas que encontram dificuldade para conseguir a primeira oportunidade por falta de experiência.
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