Falta de caminhoneiros cresce no Brasil e empresas disputam profissionais experientes
As transportadoras brasileiras enfrentam dificuldades para contratar motoristas de caminhão, e a escassez de profissionais já mantém veículos parados. Pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) aponta que 88% das empresas consultadas enfrentam problemas para encontrar motoristas e agregados.
Entre as transportadoras que relataram veículos sem operação por falta de condutores, a média foi de oito caminhões parados. A situação reduz a capacidade de transporte e dificulta o atendimento aos clientes.
Número de motoristas habilitados caiu 22%
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), analisados pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), mostram que o número de condutores habilitados nas categorias C e E passou de aproximadamente 5,6 milhões em 2015 para 4,4 milhões em 2025.
A queda de 22% em dez anos evidencia a redução no número de pessoas habilitadas para dirigir veículos pesados. Os dados incluem também condutores que não trabalham como caminhoneiros.
Outro levantamento, da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), apontou que 34% dos caminhoneiros autônomos entrevistados tinham pelo menos 50 anos.
Salários e falta de oportunidades dificultam renovação
A rotina de viagens longas, o tempo longe da família e os riscos nas rodovias estão entre os fatores que dificultam a entrada de novos profissionais.
A pesquisa da CNTA também mostrou que 86% dos entrevistados afirmaram que nenhum de seus filhos pretendia seguir a profissão.
Além disso, a exigência de experiência prévia para determinadas vagas pode dificultar a contratação de motoristas recém-habilitados.
Nos comentários à reportagem publicada pelo Brasil do Trecho em 19 de outubro, leitores também questionaram os salários oferecidos e a falta de oportunidades para profissionais sem experiência.
Para as transportadoras, a dificuldade de contratação significa caminhões sem produzir e risco de atrasos nas entregas. Já para os motoristas, remuneração, benefícios e condições de trabalho continuam entre os principais fatores considerados na escolha de uma empresa.
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