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Caminhoneiro

Fim da escala 6×1 pode ampliar falta de caminhoneiros nas transportadoras

3 minutos de leitura
Transportadoras deixam caminhões parados por falta de motoristas no Brasil

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo peso no transporte rodoviário de cargas. Entidades e empresas do setor passaram a alertar que a mudança na jornada pode ampliar o déficit de caminhoneiros e aumentar a pressão sobre a operação das transportadoras em todo o país.

Hoje, a falta de motoristas já é tratada como um gargalo no setor. Dados citados pela CNT mostram que 65,1% das empresas de transporte rodoviário de cargas relatam dificuldade para encontrar motoristas profissionais. Em outro recorte, a confederação já havia apontado que mais de 44% das empresas ouvidas tinham vagas abertas para a função.

Com menos horas disponíveis por trabalhador, a conta das empresas tende a ficar mais apertada. Para manter entregas, coletas e rotas no mesmo ritmo, transportadoras teriam de contratar mais profissionais, justamente em um mercado que já sofre com escassez de mão de obra, custo de habilitação, envelhecimento da categoria e dificuldade de reposição.

O impacto não fica só no RH. O setor avalia que a mudança pode elevar custo operacional, folha de pagamento, despesas administrativas e preço do frete. Na prática, isso mexe com toda a cadeia logística, do agronegócio ao varejo, passando por e-commerce, seguro de carga, abastecimento e distribuição de produtos perecíveis.

Representantes do transporte afirmam que o risco é de perda de eficiência e atraso nas entregas. A CNT declarou, em audiência pública sobre a proposta, que uma redução de jornada sem análise mais profunda pode piorar serviços essenciais e pressionar a inflação, já que parte desse aumento acabaria repassada ao consumidor final.

O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região, o SETCESP, segue a mesma linha. A entidade defende que mudanças desse porte levem em conta as características do transporte rodoviário, onde operação contínua, janela de entrega, trânsito, restrição urbana e falta de motoristas tornam a adaptação mais difícil.

Há ainda um efeito direto sobre a competitividade. Empresas menores, que já trabalham com margem curta e frota enxuta, podem sentir mais rápido qualquer alta de custo trabalhista. Em um ambiente de diesel pressionado, juros altos, manutenção cara e renovação de frota mais lenta, a jornada menor entra como mais um fator de aperto financeiro para o transportador.21

Do outro lado, defensores da mudança afirmam que a revisão da jornada pode melhorar a qualidade de vida do trabalhador e reduzir desgaste físico e mental. No transporte, esse argumento também aparece ligado à segurança viária, já que fadiga ao volante é um risco real para motoristas, carga e operação.

O ponto que unifica o setor é outro: sem planejamento, a transição pode custar caro. Por isso, entidades pedem debate técnico, negociação coletiva e análise econômica antes de qualquer alteração definitiva. Para as transportadoras, o medo não é só mudar a escala. É fazer isso em um mercado que já não consegue preencher os bancos da boleia.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.