Move Brasil 2 liberou R$ 21,2 bilhões para renovar caminhões e ônibus; 95% já estavam aprovados em julho
O Move Brasil 2 liberou em 2026 um pacote de R$ 21,2 bilhões para financiar a renovação da frota pesada brasileira. A linha, operacionalizada pelo BNDES por meio do programa Mais Mobilidade, incluiu caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
Do valor anunciado, R$ 14,5 bilhões vieram de recursos da União e até R$ 6,7 bilhões do próprio BNDES. O programa reservou R$ 2 bilhões para transportadores autônomos de cargas e cooperados e outros R$ 2 bilhões para ônibus e micro-ônibus.
A procura pelo dinheiro foi rápida. Em apenas 12 dias de operação, o BNDES já havia aprovado R$ 10 bilhões, o equivalente a 47,1% da dotação da linha. No fim de julho, levantamento publicado pela Transporte Moderno apontava cerca de R$ 20 bilhões aprovados, aproximadamente 95% dos recursos disponíveis.
Para os caminhoneiros autônomos, o programa ofereceu prazo de financiamento de até 120 meses, com até 12 meses de carência. Empresas de transporte de cargas tinham prazo de até 60 meses, enquanto empresas de transporte de passageiros podiam chegar a 120 meses.
Também foi permitida a compra de caminhões e caminhões-tratores seminovos por autônomos e cooperados. Nesse caso, os veículos precisavam ter sido fabricados a partir de 2012, atender ao padrão Proconve P-7 e cumprir as exigências de rastreabilidade fiscal do programa.
As taxas divulgadas pelo BNDES na abertura da linha ficavam próximas de 13% ao ano, mas o custo final dependia da instituição financeira, análise de crédito, garantias e condições de cada operação. O BNDES não fazia o financiamento diretamente com o caminhoneiro.
Prazo para novos pedidos já terminou
Esse é o ponto que precisa ficar claro para quem lê a matéria agora. O cronograma publicado pelo BNDES estabeleceu 28 de agosto de 2026 como prazo para protocolo das operações e 28 de setembro para comunicação da contratação ao Banco. As duas datas já passaram. O próprio BNDES registrou em julho uma circular alterando os prazos do Mais Mobilidade.
Além disso, a Medida Provisória nº 1.353/2026, que autorizou a destinação de recursos para financiar caminhões, ônibus e implementos, perdeu eficácia em 27 de agosto de 2026, após não ser convertida em lei dentro do prazo constitucional. O Congresso registrou oficialmente a MP como “sem eficácia”.
Por isso, em outubro, os R$ 21,2 bilhões devem ser tratados como recursos disponibilizados pelo programa ao longo de 2026, e não como uma nova linha de R$ 21,2 bilhões sendo aberta agora para pedidos de financiamento.
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