SUV conquistou o brasileiro, mas nem sempre entrega tudo que cobra
SUV ganhou espaço, mas o preço subiu junto
O SUV caiu no gosto do brasileiro porque entrega uma sensação que muita gente procura quando entra em um carro: posição mais alta, visual robusto e impressão de mais segurança. Mesmo quando o modelo é compacto e usa a mesma base de um hatch, a carroceria mais alta muda a percepção de quem dirige e de quem olha de fora.
Para famílias, esse tipo de carro também passa a ideia de mais conforto para viagem, mala maior e facilidade no embarque. Para quem roda bastante na cidade, a altura em relação ao solo ajuda em lombadas, valetas, ruas ruins e entradas de garagem. Esse conjunto fez o SUV deixar de ser visto como carro de nicho e virar desejo de garagem.
O mercado respondeu rápido. As montadoras passaram a colocar SUV em praticamente todas as faixas de preço, desde modelos compactos até versões híbridas e mais luxuosas. Em 2025, o segmento passou de 1 milhão de unidades emplacadas no país e ficou com mais da metade das vendas de automóveis, mostrando o tamanho dessa preferência.
O ponto que incomoda muita gente está no valor cobrado. Em vários casos, o SUV não entrega tanto a mais em mecânica, espaço ou acabamento quando comparado a um hatch ou sedã da mesma marca. O consumidor paga pelo formato, pela moda, pela altura e pelo status. E como a procura é alta, as empresas conseguem manter preços fortes sem precisar oferecer grandes descontos.
O comprador sente isso no financiamento, no seguro, na revisão e até nos pneus, que costumam ser mais caros em muitos modelos. O carro que parecia solução para a família pode virar uma conta pesada no fim do mês, principalmente para quem depende dele para trabalhar, viajar ou encarar estrada com frequência.
O SUV também virou símbolo de escolha emocional. Muita gente compra porque gosta da presença do carro, da sensação de proteção e da imagem de veículo moderno. Só que o bolso nem sempre acompanha esse desejo. O segmento segue forte, mas com uma contradição clara: o brasileiro quer SUV, enquanto as montadoras sabem que esse desejo permite cobrar mais caro por um pacote que, muitas vezes, não entrega tanto quanto promete.
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