JBS freia carne para a China no Brasil e aposta R$ 773 milhões em fábrica gigante nos EUA

A JBS entrou em uma nova fase de ajustes no mercado global de carne bovina. Enquanto reduz a produção de cortes destinados à China em parte das unidades brasileiras, a companhia também avança com um investimento de US$ 150 milhões, cerca de R$ 773 milhões, para ampliar uma grande fábrica de carne bovina em Cactus, no Texas.
O movimento mostra como a empresa tenta equilibrar dois cenários bem diferentes. No Brasil, a preocupação está na cota chinesa para importação de carne bovina em 2026. A China passou a trabalhar com um limite anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil, com cobrança extra de 55% sobre o volume que passar desse teto. A tarifa total pode sair de 12% para 67%, o que reduz a margem dos frigoríficos e muda o ritmo das vendas.
Por causa disso, a JBS decidiu suspender a produção de cortes bovinos específicos para o mercado chinês em 18 das 34 plantas brasileiras habilitadas a exportar para o país asiático. A prioridade agora é organizar embarques já contratados, evitar cargas chegando fora da cota e redirecionar parte da produção para outros mercados ou para o consumo interno.
O peso da China nesse cálculo é grande. Em maio de 2026, o Brasil exportou 297 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,83 bilhão. Desse total, a China comprou 157,6 mil toneladas, respondendo por 53,1% do volume vendido pelo setor no mês. No acumulado de janeiro a maio, os chineses compraram 631,9 mil toneladas da carne brasileira.
Ao mesmo tempo, a JBS reforça sua estrutura nos Estados Unidos. A expansão da unidade de Cactus inclui uma nova área de processamento e uma sala maior para carne moída. A obra começou em fevereiro de 2026 e deve ser concluída no início de 2027. A fábrica já emprega mais de 3,6 mil pessoas e compra cerca de US$ 3,3 bilhões em gado por ano de produtores locais.
Para o agro brasileiro, o ponto central agora é o comportamento da demanda chinesa nos próximos meses. Com a cota avançando rápido, frigoríficos podem reduzir abates, negociar com mais cautela e pressionar o preço do boi gordo em algumas praças. A JBS tenta ganhar eficiência fora do país enquanto ajusta a operação brasileira ao novo limite imposto pelo maior comprador da carne bovina nacional.
