Agronegócio Transportadora

Reforma tributária pode fazer transportadora do agro pagar 414% a mais em imposto

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Se você tem uma transportadora que trabalha com o agronegócio, prepare o bolso. Um estudo da Rumo Brasil, feito com dados reais de empresas associadas à ANATC, mostrou que a reforma tributária pode aumentar em 414,44% a carga de impostos dessas empresas só com a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Isso significa que, em 2027, quando a CBS entrar em vigor com alíquota cheia, o custo pode pular de R$ 35 milhões para mais de R$ 144 milhões anuais.

A coisa fica ainda mais complicada porque o estudo não considerou o IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços que vai substituir o ICMS e o ISS. Ou seja, o impacto real pode ser ainda maior. As empresas avaliadas faturaram R$ 6,6 bilhões em 2025, mas com R$ 5 bilhões em subcontratações — e é justamente aí que o problema aperta.

O CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito, explica: “A subcontratação é parte do dia a dia n de cargas, principalmente no agro. Quando as regras de crédito mudam, o impacto financeiro vira uma bomba para empresas que já operam com margens apertadas”. A reforma tributária não é só sobre pagar mais imposto; é sobre como a nova legislação vai mexer em cada contratação, documento e operação. Um erro no cadastro ou um contrato mal feito pode fazer o custo subir ainda mais.

O que muda na prática e quando começa o prejuízo

A partir de agosto de 2026, as empresas já vão precisar preencher corretamente os campos de IBS e CBS nas notas fiscais. Se errar, a emissão pode ser bloqueada ou a empresa leva multa. Em setembro, quem está no Simples Nacional vai decidir se recolhe IBS e CBS por fora da guia única — uma escolha que pode fazer diferença para quem vende para grandes clientes. Em janeiro de 2027, PIS e Cofins acabam e a CBS entra com tudo, com alíquota entre 8,5% e 9%.

O pior começa em 2029, quando ICMS e ISS começam a cair enquanto o IBS sobe. Até 2032, as empresas vão ter que lidar com dois sistemas ao mesmo tempo: o velho, ainda em transição, e o novo, que está chegando. Só em 2033 a coisa se acalma, quando o ICMS e o ISS desaparecem de vez e o país passa a usar só CBS e IBS.

Para as transportadoras, não é só questão de pagar mais. Cada detalhe conta: contratos, documentos, cadastros. Um erro pode significar perder créditos e, consequentemente, aumentar ainda mais o custo. E o impacto não fica só na transportadora. Como é essencial para escoar a produção agropecuária, abastecer indústrias e distribuir alimentos, o aumento de custos vai se espalhar por toda a cadeia. Embarcadores, indústrias, distribuidores e até o consumidor final vão sentir no bolso.

Brito resume: “A reforma tributária não é só uma mudança na forma de pagar imposto. É uma revolução nos processos, nos contratos e nas estratégias. Quem se preparar agora, ainda consegue reduzir riscos e manter a competitividade. Quem deixar para depois, vai pagar caro”.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.