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Caminhoneiro

Transportadoras que respeitam os caminhoneiros têm fila de candidatos, enquanto outras sofrem com a falta de motoristas

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A falta de motoristas profissionais existe, mas não atinge todas as transportadoras da mesma maneira. Enquanto algumas mantêm caminhões parados e vagas abertas por meses, outras recebem currículos constantemente e chegam a formar fila para seus processos seletivos.

O motivo não está somente no salário. Entre os caminhoneiros, a reputação da empresa circula rapidamente. Os profissionais conversam nos postos, grupos de mensagens, pontos de carregamento e redes sociais. Em pouco tempo, eles descobrem quais transportadoras pagam corretamente e quais apresentam problemas com jornada, descontos, manutenção ou tratamento dado ao funcionário.

Dados divulgados em 2026 mostram o tamanho da disputa. Um levantamento apontou que 44,6% das transportadoras de cargas estavam com vagas abertas para motoristas. Outra pesquisa, com metodologia e pergunta diferentes, indicou que 88% enfrentavam alguma dificuldade para contratar motoristas ou agregados. Os números não significam que todas estejam com o mesmo problema ou na mesma intensidade.

O motorista também escolhe onde trabalhar

Ter uma carreta nova no pátio não é suficiente para segurar um profissional experiente. O motorista avalia remuneração, comissão, tempo fora de casa, qualidade das rotas, manutenção do veículo e apoio recebido quando acontece algum problema na estrada.

Também pesam a forma como encarregados e gestores tratam o funcionário, o respeito ao descanso, a clareza no acerto das viagens e a existência de descontos que não foram explicados durante a contratação.

O próprio SETCESP oferece treinamento para gestores sobre retenção de motoristas. Entre os pontos trabalhados estão remuneração diferenciada, benefícios, suporte ao profissional e a diferença entre a condição de trabalho prometida e aquela encontrada na rotina. Isso mostra que parte da falta de mão de obra também é um problema de gestão.

Transportadoras que investem em valorização, segurança e relacionamento conseguem reduzir a rotatividade. A NTC já apresentou casos de empresas que adotaram programas de reconhecimento, treinamento, acompanhamento de saúde e aproximação com as famílias para manter seus motoristas.

Não existe, porém, uma pesquisa nacional pública que confirme quais empresas possuem fila de candidatos. Essa informação aparece principalmente em relatos de motoristas e anúncios de recrutamento. Ainda assim, a diferença de reputação entre transportadoras é conhecida dentro da categoria.

A escassez não pode ser colocada apenas na conta do trabalhador

O setor também enfrenta um problema estrutural. A idade média dos motoristas profissionais chegou a 45,3 anos, enquanto a entrada de jovens permanece baixa. Entre as barreiras citadas estão preconceito contra a profissão, baixa remuneração e condições desfavoráveis de trabalho.

A CNH de categoria pesada, os cursos obrigatórios e a exigência de experiência dificultam a renovação. Há candidatos querendo começar, mas muitas empresas exigem experiência que o profissional só conseguiria depois de ser contratado.

Isso cria uma roda travada: a transportadora reclama que não encontra motorista experiente, enquanto o candidato não consegue sua primeira oportunidade para adquirir experiência.

Empresas bem avaliadas também podem enfrentar falta de profissionais em determinadas regiões ou operações. O transporte de produtos perigosos, cegonhas, rodotrens e cargas especiais exige qualificações que reduzem o número de candidatos disponíveis.

Mesmo assim, condições melhores colocam a transportadora em vantagem. Quem paga em dia, mantém os caminhões seguros, respeita a jornada e conversa com o funcionário tende a perder menos motoristas para a concorrência.

A chamada “falta de motorista” não pode servir como explicação pronta para todos os casos. Em algumas empresas existe realmente uma escassez de profissionais qualificados. Em outras, o problema está na dificuldade de convencer alguém a permanecer nas condições oferecidas.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.