Crise na Volkswagen ameaça fábricas e até 100 mil postos de trabalho

A Volkswagen prepara uma das maiores mudanças de sua história, com redução de fábricas, modelos e custos. Informações divulgadas pela Reuters apontam que o plano em análise pode atingir até 100 mil postos de trabalho dentro do grupo alemão.
O número, porém, ainda não foi confirmado oficialmente pela montadora. A estimativa foi revelada por fontes próximas às discussões internas. A Volkswagen também não anunciou que 100 mil trabalhadores serão demitidos de uma só vez. Parte das vagas pode desaparecer por aposentadorias, acordos voluntários, transferências e pela decisão de não contratar substitutos.
A empresa já possui um acordo para reduzir mais de 35 mil postos de trabalho em suas unidades alemãs até 2030. O documento, fechado em dezembro de 2024 com representantes dos funcionários, prevê uma redução considerada socialmente responsável, sem uma onda imediata de demissões obrigatórias.
A possibilidade de chegar aos 100 mil empregos surgiu durante a preparação de um plano mais pesado. Segundo a Reuters, a direção avalia até o fechamento ou redução das atividades de quatro fábricas na Alemanha, localizadas em Hanover, Emden, Zwickau e Neckarsulm. Trabalhadores e sindicatos já realizaram protestos contra essas medidas.
A Volkswagen confirmou que vai diminuir sua quantidade de modelos em até 50%. O número de versões, equipamentos e configurações disponíveis poderá cair até 75%. A capacidade anual de produção do grupo também deverá passar de cerca de 10 milhões para 9 milhões de veículos.
A pressão aumentou após a queda dos resultados financeiros. No primeiro semestre de 2026, o grupo registrou lucro operacional de 5,9 bilhões de euros, baixa de 11,6% na comparação anual. Foram vendidos 4 milhões de veículos, quantidade 8,4% menor que a registrada no mesmo período de 2025.
A disputa com as marcas chinesas também pesa. O mercado automotivo da China caiu 20%, enquanto fabricantes locais ampliaram as exportações de carros mais baratos e tecnológicos para a Europa. Tarifas comerciais, custos altos nas fábricas alemãs e gastos com software e eletrificação completam a conta.
A própria Volkswagen informou que sua margem operacional ficou em 3,8% no primeiro semestre, nível considerado baixo pela direção. A empresa pretende cortar despesas administrativas, diminuir estruturas internas e concentrar a produção nas fábricas que apresentarem os menores custos.
Até agora, o que está confirmado é a redução de mais de 35 mil empregos na Alemanha até 2030. O total de 100 mil vagas continua sendo uma possibilidade discutida dentro da reestruturação e dependerá da aprovação do conselho, além das negociações com sindicatos e representantes dos trabalhadores.
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