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Fila por ossos expõe realidade de famílias que ainda lutam para colocar comida na mesa

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Fila por ossos expõe realidade de famílias que ainda lutam para colocar comida na mesa
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Pegar uma sacola, enfrentar fila e esperar pela distribuição de ossos com pequenos pedaços de carne. Essa é uma realidade que já foi registrada em diferentes regiões do Brasil e que ainda causa impacto quando as imagens aparecem nas redes sociais.

Em Fortaleza, no Ceará, um projeto social realiza a distribuição de ossadas para moradores de comunidades carentes. Uma das ações registradas em janeiro de 2025 mostrou pessoas recebendo o alimento. A checagem feita pela Agência Lupa confirmou que o trabalho é verdadeiro e ocorre há anos, junto com outras doações, como pão, verduras e sopa.

As imagens são fortes, mas precisam ser colocadas no contexto correto. A iniciativa de Fortaleza não foi criada por nenhum governo e existe desde aproximadamente 2010, segundo o responsável pelo projeto. Vídeos dessas entregas já chegaram a ser usados nas redes sociais com mensagens políticas que não correspondiam à origem da ação.

Outro caso que ganhou repercussão nacional ocorreu em Cuiabá, Mato Grosso. Uma reportagem do UOL acompanhou famílias que caminhavam quilômetros para buscar ossos distribuídos por um açougue. Na época da reportagem, o estabelecimento chegava a entregar cerca de 500 quilos de ossos em um único dia.

Para algumas famílias entrevistadas, aquele pouco de carne preso ao osso era uma das poucas formas de colocar proteína no prato. Os pedaços eram usados em sopas, caldos e outras refeições que precisavam render para várias pessoas dentro de casa.

Os casos não significam que todo brasileiro em situação de pobreza esteja dependendo desse tipo de doação. Mas os números oficiais mostram que a dificuldade para ter comida suficiente ainda atinge uma parcela grande do país.

Dados mais recentes da PNAD Contínua sobre Segurança Alimentar, divulgados pelo IBGE, mostram que 18,9 milhões de domicílios brasileiros estavam em algum grau de insegurança alimentar em 2024. Isso representa 24,2% das casas do país. O número caiu em comparação com 2023, mas continua envolvendo milhões de famílias.

Para quem consegue escolher o corte de carne no supermercado, uma sacola cheia de ossos pode parecer apenas descarte. Para quem está contando moedas para comprar arroz, feijão e mistura, aqueles restos podem significar a refeição daquele dia.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.