SEST SENAT oferece CNH grátis, mas falta de caminhoneiros continua

A oportunidade de mudar gratuitamente a categoria da CNH despertou interesse de milhares de brasileiros, mas o número de candidatos ainda não significa caminhões com motorista nas empresas. A edição de 2026 do programa Mais Motoristas, do SEST SENAT, recebeu 138.586 inscrições, cerca de 150% a mais que o primeiro edital, realizado em 2023.
O programa paga a mudança da habilitação para as categorias C, D ou E e oferece capacitação para quem pretende trabalhar no transporte de cargas ou passageiros. Ou seja, existe procura pela oportunidade de entrar no setor. O problema aparece depois: transformar esse interesse em profissionais dispostos a permanecer na profissão.
Dados apresentados pela Confederação Nacional do Transporte mostram que 65,1% das transportadoras apontam a função de motorista como a de maior carência de profissionais. Outro dado chama ainda mais atenção: 44,6% das empresas de transporte de cargas têm vagas abertas para motoristas.
A dificuldade, então, não parece estar apenas no preço para conseguir uma habilitação profissional. Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos mostra que 66,7% das empresas ouvidas consideram a baixa atratividade da carreira um dos problemas para contratar ou manter motoristas. Condições de trabalho e jornada pouco convidativas foram citadas por 44,4%.
Isso ajuda a explicar por que uma CNH custeada pelo SEST SENAT pode abrir a porta, mas não necessariamente colocar milhares de novos caminhoneiros definitivamente na estrada. Viagens longas, dias longe de casa, horários irregulares, responsabilidade sobre veículos e cargas de alto valor e as condições encontradas durante o trabalho pesam na escolha.
A própria pesquisa da ABOL mostra que 77,8% das empresas participantes estão demorando mais para preencher vagas. Para 66,7%, a falta de profissionais também já aumenta os custos das operações.
O recorde de inscrições do Mais Motoristas mostra que há gente interessada em conseguir a habilitação e experimentar a profissão. O desafio das transportadoras é outro: oferecer condições para que esse candidato, depois de conseguir a categoria C, D ou E e receber treinamento, enxergue vantagem em trocar outra ocupação por uma carreira como motorista profissional.
Enquanto essa conta não fechar, a CNH gratuita pode aumentar o número de pessoas qualificadas, mas as empresas ainda poderão continuar com caminhões parados e vagas esperando por motoristas.
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