Brasil reduz impostos de vários alimentos, mas compra do mês ainda pesa no bolso
Fazer a compra do mês continua sendo uma das despesas que mais apertam o orçamento das famílias brasileiras. E, apesar da sensação de que existe imposto sobre praticamente tudo que vai para o carrinho, vários alimentos básicos já contam com benefícios tributários no país.
Produtos como arroz, feijão, leite, carnes, café, açúcar, frutas, ovos e alguns tipos de farinha estão entre os itens que possuem alíquota zero de PIS e Cofins dentro das regras federais. Ou seja, dizer que não existe nenhuma redução de impostos sobre alimentos no Brasil não corresponde às regras atualmente em vigor.
A reforma tributária ampliou esse tratamento. A Lei Complementar nº 214 criou a Cesta Básica Nacional de Alimentos e determinou alíquota zero de IBS e CBS para os produtos incluídos na lista. A implantação do novo sistema acontece de forma gradual nos próximos anos.
Na prática, porém, tirar ou reduzir um imposto não garante sozinho um supermercado barato. O preço que chega ao consumidor também passa por produção, safra, clima, combustível, transporte, armazenamento, dólar, atacado, margem do comércio e outros tributos que podem variar conforme o produto e o estado.
Os números mostram como alimentação ainda ocupa espaço grande no salário. Em agosto de 2026, o DIEESE registrou queda no valor da cesta básica em 25 capitais, mas os preços continuaram altos. Em Cuiabá, por exemplo, a cesta chegou a R$ 851,57. Para um trabalhador que recebe o salário mínimo, o levantamento calculou comprometimento de 56,79% da renda líquida apenas para comprar os alimentos pesquisados.
O salário mínimo em 2026 é de R$ 1.621. No mesmo mês de agosto, o DIEESE calculou em R$ 7.565,86 o chamado salário mínimo necessário para atender as despesas previstas para uma família, incluindo alimentação, moradia, saúde, transporte e outras necessidades.
Com a mudança dos impostos sobre o consumo, a cesta básica continuará recebendo tratamento diferenciado. A CBS está prevista para assumir espaço maior no sistema a partir de 2027, enquanto a implantação do IBS ocorre de forma gradual, mantendo a alíquota zero prevista para os alimentos enquadrados na Cesta Básica Nacional.
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