JBS fecha fábricas nos EUA e decisão esbarra em crise do gado ligada à gestão Trump

A JBS fechou duas fábricas nos Estados Unidos e a decisão reacendeu a discussão sobre a crise que atinge a cadeia da carne bovina no país. A empresa confirmou o encerramento planejado de uma unidade de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, e de uma fábrica de produtos com maior valor agregado em Memphis, no Tennessee.
A companhia afirma que a mudança faz parte de um ajuste na sua rede de produção. A JBS vai transferir parte das operações para outras unidades, buscando mais eficiência em um momento de aperto no setor. O ponto central dessa história está na falta de gado disponível para abate nos Estados Unidos.
O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em décadas, pressionado por seca, custo alto de ração, juros pesados e produtores segurando investimentos. Com menos animais no mercado, os frigoríficos passam a disputar gado mais caro. Isso reduz a margem das empresas, porque nem sempre o preço final da carne acompanha todo o aumento do custo na mesma velocidade.
A relação com Trump aparece de forma indireta. A gestão Trump manteve restrições à entrada de gado vivo do México por causa da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que ameaça animais e pode causar grandes prejuízos à pecuária. Essa barreira sanitária cortou uma fonte importante de abastecimento para confinamentos e frigoríficos americanos.
Antes da restrição, os Estados Unidos importavam mais de 1 milhão de cabeças de gado do México por ano. Esse volume ajudava a completar a oferta interna, principalmente em regiões ligadas à engorda e ao abate. Com a fronteira mais fechada para animais vivos, a pressão sobre a indústria aumentou.
Isso não significa que Trump mandou fechar fábricas da JBS ou que a decisão tenha sido política. O fechamento está mais ligado ao cenário econômico da carne bovina, com pouco gado, custo alto e fábricas operando abaixo do ideal. A política sanitária da gestão Trump entrou como mais um fator dentro de uma crise que já vinha se formando há anos.
Para o agro, o movimento mostra como uma decisão na fronteira pode afetar toda a cadeia, do pecuarista ao frigorífico. A JBS segue com investimentos em outras unidades nos EUA, mas escolheu cortar operações onde a conta ficou mais difícil de fechar.
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