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Caminhoneiro

Caminhoneiros encaram horas de estrada por salários que apertam o bolso

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Caminhoneiros encaram horas de estrada por salários que apertam o bolso
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A carga mais pesada do caminhoneiro nem sempre está na carroceria. Para boa parte da categoria, o peso aparece na rotina: horas ao volante, pressão para cumprir prazo, distância da família e um salário que nem sempre acompanha a responsabilidade do serviço.

O motorista profissional trabalha cercado por riscos. Chuva, estrada ruim, assalto, carga valiosa e trânsito pesado fazem parte do dia. Ainda existe a cobrança por entrega rápida, mesmo quando o corpo já pede descanso. A Polícia Rodoviária Federal informa que o condutor deve ter 11 horas seguidas de repouso dentro de um período de 24 horas. Também não pode dirigir por mais de cinco horas e meia sem parar, com descanso obrigatório de 30 minutos.

A existência da regra não faz o cansaço desaparecer. O motorista precisa encontrar um ponto seguro justamente quando o corpo pede pausa. A ANTT mantém uma lista de Pontos de Parada e Descanso reconhecidos, criados para reduzir a fadiga e dar mais segurança ao condutor. O problema é encaixar esses locais em rotas longas, horários apertados e entregas marcadas.

O salário também pesa. A remuneração muda conforme o estado, o tipo de caminhão, a carga e o acordo coletivo. Registros recentes do sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, mostram pisos de R$ 2.221,23 para motorista de caminhão em um acordo e R$ 2.907,25 para caminhões toco em outro. Em abril de 2026, o Sine de Cuiabá anunciou vaga de motorista de caminhão com salário de R$ 2.800.

Para quem passa dias fora de casa e assume a responsabilidade por veículos muito caros e cargas de alto valor, esses valores são vistos como apertados. O dinheiro precisa cobrir despesas da família, alimentação durante a viagem e gastos que aparecem na estrada. No caso do autônomo, a conta inclui combustível, pneus, manutenção, seguro e parcelas do caminhão.

O desgaste não fica apenas no bolso. Dormir mal, comer em horários quebrados e dirigir cansado mexem com a atenção. Um segundo de distração pode terminar em tombamento, colisão ou saída de pista. A pressa da entrega vira risco para o caminhoneiro e para todos que circulam na rodovia.

A categoria cobra fiscalização da jornada, mais pontos seguros de descanso e pagamento que reconheça o tamanho da responsabilidade, em viagens que atravessam estados e duram vários dias. Sem isso, a estrada continua exigindo muito de quem transporta alimentos, remédios, combustível e quase tudo que chega às cidades brasileiras.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.